Exclusivo: veja detalhes da representação assinada por assessor de Wilder e recebida pelo PL que pede a expulsão de Márcio Corrêa do partido
27 agosto 2026 às 18h20

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A reportagem do Jornal Opção teve acesso exclusivo à íntegra da representação ético-disciplinar recebida, nesta quinta-feira, 27, pela Executiva estadual do PL contra o prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa. O documento, assinado pelo ajudante parlamentar sênior de Wilder Morais, presidente da legenda, se baseia nos artigos 45 e 48 do estatuto do Partido Liberal ao pedir a expulsão de Márcio Corrêa, “com o consequente cancelamento imediato da filiação partidária” do prefeito.
O documento, de autoria de Lehninger Thiago Mota, assessor lotado no gabinete de Wilder Morais no Senado desde 2023, conforme consta no Portal da Transparência, especifica como “fato gerador” do pedido de expulsão a declaração pública de apoio de Corrêa ao governador e candidato à reeleição Daniel Vilela, ocorrida no último dia 22 de agosto.
No texto, Mota destaca uma resolução administrativa firmada pelo presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, que veda “expressamente a todos os detentores de mandato eletivo pela legenda, em todo o território nacional, a manifestação pública de apoiamento, em todas as suas formas, a pré-candidatos ou candidatos de outras agremiações partidárias, ou que não componham as coligações celebradas pelo partido”.

“A norma não comporta dúvida interpretativa: é vedação categórica, dirigida nominalmente à categoria em que o Representado se enquadra”, argumenta, acrescentando que o ato do último sábado não teria sido o único. “O episódio de 22 de agosto não é isolado. Ainda em abril de 2026, durante evento oficial em Anápolis, o Representado já havia manifestado publicamente apoio ao então pré-candidato Daniel Vilela, conduta que à época motivou cobranças de lideranças estaduais do Partido Liberal por posicionamento claro”.
O documento destaca que, após o recebimento pela Executiva, o que ocorreu hoje, o relator vai determinar “a notificação do Representado para apresentar defesa, no prazo de 48 (quarenta e oito) horas, acompanhada das provas e do rol de testemunhas até o limite de 3 (três). Concluída a instrução, o relator elaborará parecer e o encaminhará à Comissão Executiva para julgamento”, e finaliza requerendo o encaminhamento da peça ao Conselho de Ética, a instrução com a juntada dos documentos e o deferimento da expulsão de Corrêa do PL.
Márcio rebateu
Em um vídeo de mais de cinco minutos compartilhado nas redes sociais nesta quinta-feira, 27, o prefeito Márcio Corrêa, alvo da representação por infidelidade partidária, decidiu contra-atacar e abriu fogo contra o presidente da legenda, Wilder Morais. Em tom duro e sem rodeios, Corrêa questionou posicionamentos do senador em votações no Congresso nas quais, segundo ele, Wilder teria se alinhado ao governo Lula. O prefeito afirmou ainda que, se o partido pretende expulsá-lo por infidelidade, o processo deveria começar pelo próprio dirigente da sigla.
“Ele [Wilder] diz que lamenta muito esse processo que aconteceu, mas quem fez a denúncia foi seu assessor. Muitos ali presentes na Executiva são seus funcionários”, disse Márcio, referindo-se ao autor da representação ético-disciplinar, que é ajudante parlamentar sênior lotado no gabinete de Wilder no Senado.
A representação, que alega infidelidade partidária e pede a expulsão de Márcio Corrêa do PL, foi recebida pela Executiva da legenda na manhã desta quinta-feira. A peça ainda será submetida à análise do Conselho de Ética, mas já provocou uma dura reação do prefeito anapolino.
“Eu queria entender o que é fidelidade e o que é infidelidade partidária. Porque se for seguir a ferro e fogo, onde estava a fidelidade do senador quando ele fugiu da votação contra o Messias [para o STF, por indicação do presidente Lula], que muitos já sabem os motivos? Onde estava a fidelidade do senador quando na maioria das votações, se pegarmos 2023 e 2024, ele votou junto com o governo Lula?”, questiona Corrêa no vídeo.
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Em outro momento, o prefeito traz à tona uma reunião que, segundo ele, teria ocorrido no barco de Wilder para articular a indicação do atual ministro Alexandre de Moraes ao STF.
Márcio Corrêa também afirma que, em negociações anteriores, a maioria dos mandatários do PL defendia uma composição com o atual governo estadual para “uma pacificação na direita e garantir a vitória” de Gustavo Gayer para o Senado. Segundo ele, no entanto, a articulação não avançou por interesses particulares. “Mas o interesse pessoal esteve acima dos interesses da legenda”, disse.
“Se for expulsar por infidelidade partidária, tem que começar pelo presidente [do partido], tem que expulsar deputado federal que não apoia esse projeto, tem que expulsar vários prefeitos também que não estão com esse projeto. Agora, se quiser fazer mídia e buscar popularidade usando o meu nome, hoje nós vamos começar o debate, mas a única diferença é que eu não bato com a mão dos outros”, afirmou o prefeito.
O que diz o PL
Em nota divulgada à imprensa logo após o recebimento da representação que pode levar à expulsão de Márcio Corrêa, o PL de Goiás afirma que o presidente da sigla, Wilder, “lamentou que o partido tenha que despender esforços para resolver questões internas enquanto deveria estar focado em discutir pautas para melhorar a vida dos goianos”.
Veja abaixo:
“Nota à imprensa
Nesta quinta-feira (27) a Comissão Executiva Estadual do Partido Liberal em Goiás reuniu-se, em sessão extraordinária convocada pelo Edital nº 03/2026, e decidiu por unanimidade receber a representação ético-disciplinar apresentada contra o filiado Márcio Corrêa, prefeito de Anápolis. O processo segue de imediato ao Conselho de Ética do partido.
O Advogado do Partido Liberal em Goiás (PL-GO), Dr. Leonardo Batista, explicou que a deliberação constitui juízo exclusivo de admissibilidade. “A Executiva não julgou a conduta nem aplicou penalidade. A instrução do processo cabe agora ao Conselho de Ética, com contraditório e ampla defesa assegurados ao prefeito de Anápolis, cujo advogado acompanhou a sessão e recebeu cópia integral do processo”, afirmou.
O presidente do PL-GO Wilder Morais lamentou que o partido tenha que despender esforços para resolver questões internas enquanto deveria estar focado em discutir pautas para melhorar a vida dos goianos. “Temos duas missões prioritárias: fazer o estado de Goiás prosperar mais, fazendo a riqueza que o estado produz chegar à mesa de cada família goiana e eleger Flávio Bolsonaro presidente, para dar fim ao governo do PT e fazer o Brasil voltar a dar certo. Ter um processo político sendo instaurado nesse momento, trazendo a política municipal para a estadual, é uma infelicidade. O foco deve ser a melhoria de vida dos goianos e questões político partidárias internas não deveriam ocupar esse espaço”, declarou Wilder Morais.
A representação foi protocolada em 22 de agosto por um filiado da legenda. Ela atribui a Márcio Corrêa manifestação pública de apoio a uma candidatura ao Governo de Goiás diferente daquela que o Partido Liberal lançou e sustenta oficialmente. O PL disputa as eleições de 2026 com candidatura própria.
A conduta descrita na representação tem base no Estatuto do Partido Liberal, no Código de Ética da legenda e na Resolução Administrativa nº 004/2026 da Comissão Executiva Nacional. A resolução veda a quem exerce mandato eletivo pelo partido a manifestação pública de apoiamento, em todas as suas formas, a candidatos de outras agremiações ou que não integrem as coligações celebradas pelo PL. Os dispositivos citados estão listados ao final desta nota.
A fidelidade às decisões partidárias legitimamente tomadas é o compromisso que cada filiado assume ao ingressar na legenda. Diante de conduta que, em tese, contraria diretriz nacional expressa, cabia à Executiva Estadual dar curso ao procedimento previsto em suas normas, e foi o que ela fez.
O advogado constituído por Márcio Corrêa esteve presente à sessão, teve acesso franqueado aos autos e recebeu cópia integral do processo ao término dos trabalhos.
Comissão Executiva Estadual do Partido Liberal de Goiás“


