PL decide abrir processo de expulsão de Márcio Corrêa por apoio a Daniel Vilela
27 agosto 2026 às 11h34

COMPARTILHAR
*Atualizada às 14h36 com posicionamento do PL Goiás
Após reunião na sede do partido na manhã desta quinta-feira, 27, a Executiva do PL de Goiás decidiu receber uma representação que pede a expulsão do prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa, por infidelidade partidária.
Ao Jornal Opção, o advogado de Márcio Corrêa, Luciano Hanna, afirmou que “a defesa tomou nota da representação nesta manhã e vai acompanhar os próximos passos junto ao Conselho de Ética” do partido.
A representação teria sido formulada por um aliado de Wilder Morais, presidente do PL goiano e candidato a governador, após Corrêa declarar apoio à reeleição de Daniel Vilela, do MDB, em evento no último final de semana.
O documento será encaminhado ao Conselho de Ética da sigla, responsável por receber a defesa do gestor e elaborar um parecer antes da decisão final da Executiva sobre a expulsão ou não de Márcio Corrêa, ou outra medida disciplinar, o que deve demandar algum tempo.
No entanto, há desconhecimento interno sobre a própria composição do Conselho de Ética. A defesa de Márcio, inclusive, vai pedir à Executiva os nomes dos integrantes do órgão para encaminhar a manifestação do prefeito.
Em nota, o PL Goiás confirmou o recebimento da representação ético-disciplinar contra Márcio Corrêa e, por meio do dirigente Wilder, lamentou “que o partido tenha que despender esforços para resolver questões internas enquanto deveria estar focado em discutir pautas para melhorar a vida dos goianos.”
Veja a nota na íntegra:
“Nota à imprensa
Nesta quinta-feira (27) a Comissão Executiva Estadual do Partido Liberal em Goiás reuniu-se, em sessão extraordinária convocada pelo Edital nº 03/2026, e decidiu por unanimidade receber a representação ético-disciplinar apresentada contra o filiado Márcio Corrêa, prefeito de Anápolis. O processo segue de imediato ao Conselho de Ética do partido.
O Advogado do Partido Liberal em Goiás (PL-GO), Dr. Leonardo Batista, explicou que a deliberação constitui juízo exclusivo de admissibilidade. “A Executiva não julgou a conduta nem aplicou penalidade. A instrução do processo cabe agora ao Conselho de Ética, com contraditório e ampla defesa assegurados ao prefeito de Anápolis, cujo advogado acompanhou a sessão e recebeu cópia integral do processo”, afirmou.
O presidente do PL-GO Wilder Morais lamentou que o partido tenha que despender esforços para resolver questões internas enquanto deveria estar focado em discutir pautas para melhorar a vida dos goianos. “Temos duas missões prioritárias: fazer o estado de Goiás prosperar mais, fazendo a riqueza que o estado produz chegar à mesa de cada família goiana e eleger Flávio Bolsonaro presidente, para dar fim ao governo do PT e fazer o Brasil voltar a dar certo. Ter um processo político sendo instaurado nesse momento, trazendo a política municipal para a estadual, é uma infelicidade. O foco deve ser a melhoria de vida dos goianos e questões político partidárias internas não deveriam ocupar esse espaço”, declarou Wilder Morais.
A representação foi protocolada em 22 de agosto por um filiado da legenda. Ela atribui a Márcio Corrêa manifestação pública de apoio a uma candidatura ao Governo de Goiás diferente daquela que o Partido Liberal lançou e sustenta oficialmente. O PL disputa as eleições de 2026 com candidatura própria.
A conduta descrita na representação tem base no Estatuto do Partido Liberal, no Código de Ética da legenda e na Resolução Administrativa nº 004/2026 da Comissão Executiva Nacional. A resolução veda a quem exerce mandato eletivo pelo partido a manifestação pública de apoiamento, em todas as suas formas, a candidatos de outras agremiações ou que não integrem as coligações celebradas pelo PL. Os dispositivos citados estão listados ao final desta nota.
A fidelidade às decisões partidárias legitimamente tomadas é o compromisso que cada filiado assume ao ingressar na legenda. Diante de conduta que, em tese, contraria diretriz nacional expressa, cabia à Executiva Estadual dar curso ao procedimento previsto em suas normas, e foi o que ela fez.
O advogado constituído por Márcio Corrêa esteve presente à sessão, teve acesso franqueado aos autos e recebeu cópia integral do processo ao término dos trabalhos.
Comissão Executiva Estadual do Partido Liberal de Goiás“
Leia também: PL goiano avalia impacto de expulsar Márcio Corrêa; alta aprovação do prefeito é fator mais pesado


