Estoques em alerta: por que o sangue O negativo é essencial para salvar vidas em Goiás
30 julho 2026 às 15h42

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Mesmo com a captação de 5,2 mil bolsas de sangue por mês, a Rede Estadual de Serviços Hemoterápicos (Rede Hemo) ainda sofre para manter o equilíbrio entre a oferta e a demanda para cada grupo sanguíneo. De todos os existentes, o O negativo (O -) é tipo que está com o estoque em nível crítico.
Segundo a diretora técnica da Rede Hemo, Ana Paula Parente, o problema é o descompasso entre os tipos sanguíneos disponíveis e a necessidade dos pacientes. Enquanto os tipos O positivo (O +) e A positivo (A +) são os mais frequentes na população e, por isso, também os mais utilizados, o O- possui uma característica que o torna estratégico para toda a rede de saúde.
O sangue O negativo é conhecido como doador universal de hemácias, podendo ser transfundido em pacientes de qualquer tipo sanguíneo em situações de urgência e emergência, quando não há tempo para identificar a tipagem do paciente. Por isso, ele costuma ser a primeira escolha em casos de acidentes graves, hemorragias e atendimentos de alta complexidade.
Como apenas cerca de 7% da população possui sangue O negativo, a reposição dos estoques é mais difícil. Ao mesmo tempo, a necessidade desse tipo permanece constante, já que ele é utilizado justamente nos momentos em que cada minuto pode fazer diferença para salvar uma vida.
Além de abastecer as 223 unidades de saúde atendidas pela Rede Hemo em Goiás, o Estado também presta apoio a outras regiões do país quando necessário. De acordo com Ana Paula Parente, Goiás já enviou bolsas de sangue para Roraima, Pernambuco, Minas Gerais e São Paulo, reforçando estoques em situações de necessidade.
Cada doação ainda gera benefícios que vão além da transfusão direta. O sangue coletado pode ser separado em hemocomponentes, como concentrado de hemácias, plaquetas e plasma, que podem atender diferentes pacientes. Parte do plasma também é encaminhada ao Hemobrás, onde passa por fracionamento industrial para a produção de hemoderivados, como albumina e anticoagulantes utilizados em diversos tratamentos médicos.
Mesmo com o alerta específico para o O negativo, a diretora ressalta que todos os tipos sanguíneos são importantes. “O maior desafio é a conscientização da população. O sangue não tem substituto e a doação continua sendo a única forma de manter os estoques e garantir o atendimento aos pacientes”, afirma.


