A estiagem ganha força em Goiás e já começa a provocar reflexos em diferentes regiões do estado. Dados divulgados pelo Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo) mostram que as regiões Norte e Oeste acumulam 20 dias consecutivos sem chuva, enquanto o Leste registra 19 dias de tempo seco. Nas regiões Central e Sul, a estiagem chega a 17 dias, e apenas o Sudoeste apresenta um período menor, com sete dias sem precipitações. 

Embora o período seco seja característico do inverno no Centro-Oeste, a persistência da falta de chuva acende o alerta para impactos na produção agropecuária, no abastecimento hídrico e na qualidade do ar. A tendência também favorece a redução gradual do volume dos rios e cria condições cada vez mais propícias para a ocorrência de queimadas à medida que a estação avança.

Norte e Oeste concentram a seca mais intensa

O mapa elaborado pelo Cimehgo aponta que a estiagem é mais severa nas regiões Norte e Oeste do estado, ambas com 20 dias consecutivos sem registros significativos de chuva. Nessas áreas estão municípios como Porangatu, Aruanã, Araguapaz, Crixás, Cidade de Goiás, Iporá, Montes Claros de Goiás, Caiapônia, Doverlândia, Flores de Goiás e Rubiataba, onde o predomínio de sol continua e não há previsão de precipitações para os próximos dias. 

Na Região Leste, que acumula 19 dias de estiagem, municípios como Formosa, Luziânia, Cristalina, Cocalzinho de Goiás e Flores de Goiás permanecem sob influência da massa de ar seco. Já nas regiões Central e Sul, que registram 17 dias consecutivos sem chuva, estão cidades como Goiânia, Anápolis, Goianésia, Rio Verde, Jataí, Itumbiara, Morrinhos, Palmeiras de Goiás, Santa Helena de Goiás e Catalão. O Sudoeste é a única região que ainda apresenta um intervalo menor de estiagem, com sete dias sem precipitações. 

Produção rural sente os primeiros efeitos

O avanço do período seco começa a preocupar produtores rurais, principalmente aqueles que dependem de irrigação ou mantêm lavouras de inverno. Com a redução da umidade do solo, cresce a necessidade de uso de água para manter a produtividade das culturas, enquanto as pastagens também tendem a perder qualidade ao longo das próximas semanas.

A estiagem prolongada também aumenta o estresse hídrico da vegetação, favorecendo a propagação de incêndios em áreas rurais e de preservação ambiental.

Níveis dos rios começam a cair

Os efeitos da estiagem já aparecem no monitoramento hidrológico realizado pelo Cimehgo. Segundo o boletim, o Rio Meia Ponte apresenta tendência de redução dos níveis na região de Goiânia em razão do início do período seco. Em Itumbiara, o rio também registra volume abaixo da mediana histórica e se aproxima do limite inferior da faixa considerada normal para esta época do ano. 

O Rio Araguaia permanece dentro da zona de normalidade nos pontos monitorados em Aragarças, Aruanã e Nova Crixás, mas também apresenta tendência de diminuição do nível. Situação semelhante é observada no Rio Vermelho, na Cidade de Goiás. Já o Rio Saia Velha, em Valparaíso de Goiás, segue em situação oposta, mantendo níveis acima da média histórica registrada para o período. 

Risco de queimadas tende a aumentar

Embora o boletim não indique municípios em condição crítica para incêndios nesta quinta-feira, o Cimehgo ressalta que a combinação entre tempo seco, vegetação ressecada e temperaturas elevadas aumenta gradualmente a probabilidade de queimadas ao longo da estação. Atualmente, nenhum dos 246 municípios goianos se enquadra no chamado “Fator 30-30-30”, que reúne temperaturas acima de 30°C, umidade inferior a 30% e ventos moderados ou fortes, combinação considerada mais favorável à propagação do fogo. 

O órgão lembra ainda que a maior parte dos incêndios registrados durante o período seco tem origem em ações humanas, tornando a prevenção um dos principais instrumentos para reduzir ocorrências em áreas urbanas, rurais e unidades de conservação.

Umidade baixa amplia os cuidados com a saúde

Além da ausência de chuva, praticamente todo o estado deverá registrar índices mínimos de umidade relativa do ar entre 21% e 30%, faixa classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como estado de atenção. A recomendação é aumentar a ingestão de água, evitar atividades físicas durante as horas mais quentes do dia e reforçar os cuidados com crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias. 

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