O número de ocorrências provocadas por pipas na rede elétrica voltou a acender um alerta em Goiás. Dados da Equatorial Goiás mostram que, somente em 2025, foram registradas 1.002 ocorrências desse tipo, responsáveis por interrupções no fornecimento de energia e situações de risco para a população.

Segundo o levantamento, 843 registros — o equivalente a 85% do total — ocorreram em apenas 15 municípios. Goiânia lidera a lista, com 231 ocorrências, seguida por Aparecida de Goiânia, com 190 casos. Também aparecem entre as cidades com maior número de registros municípios da Região Metropolitana da capital e do Entorno do Distrito Federal.

Os dados indicam que o problema se intensifica durante o período de estiagem, quando aumenta a prática de soltar pipas. Em 2026, até 10 de junho, já haviam sido contabilizadas 238 ocorrências, sendo 129 apenas no mês de maio.

Para o técnico em segurança da Equatorial Goiás, Antônio Corrêa, embora seja uma brincadeira tradicional, soltar pipas próximo à rede elétrica pode provocar acidentes graves e deixar bairros inteiros sem energia.

“Brincar de pipa parece uma atividade inofensiva, mas pode provocar acidentes graves e interrupções no fornecimento de energia. Por isso, orientamos que a prática ocorra apenas em locais abertos e distantes da rede elétrica”, afirma.

Risco vai além da falta de energia

Além dos desligamentos, as ocorrências podem colocar pessoas em risco, principalmente quando há tentativa de retirar pipas presas na rede elétrica ou uso de linhas com cerol e linha chilena.

Segundo Antônio Corrêa, o contato com cabos energizados pode provocar acidentes fatais, enquanto linhas cortantes representam perigo para motociclistas, ciclistas e pedestres.

“O risco não está apenas na interrupção do fornecimento de energia. Há possibilidade de choque elétrico e acidentes graves envolvendo quem tenta retirar a pipa da rede ou entra em contato com cabos energizados”, explica.

O gerente do Centro de Operações Integradas (COI) da Equatorial Goiás, Vinicyus Lima, afirma que uma única ocorrência pode comprometer o abastecimento de energia para milhares de consumidores.

“Quando uma pipa atinge a rede elétrica, pode provocar curto-circuito e desligamentos que afetam hospitais, comércios, indústrias e residências. Além disso, a tentativa de retirada com objetos improvisados pode colocar vidas em risco”, destaca.

Cerol e linha chilena ampliam os riscos

Outro fator de preocupação é o uso de cerol e da chamada linha chilena, materiais proibidos pela legislação e que aumentam o potencial de acidentes.

Segundo a Equatorial, além de provocar ferimentos em motociclistas e pedestres, esses materiais podem romper cabos da rede elétrica e provocar curtos-circuitos.

Entre as orientações estão evitar soltar pipas próximo à rede elétrica, não utilizar cerol ou linha chilena e jamais tentar retirar pipas presas em postes ou fios. Em caso de acidente envolvendo eletricidade, a recomendação é manter distância da vítima e dos cabos, acionar o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193 e comunicar imediatamente a distribuidora de energia.

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