Esquema de Cabral coloca grandes joalherias brasileiras sob suspeita

H. Stern e Antonio Bernardo, que vendiam joias para ex-governador do Rio de Janeiro e sua esposa, deveriam informar transações de altas cifras, mas não o fizeram

| Foto: Divulgação

Todas as vendas que ultrapassarem R$ 10 mil devem ser informadas ao Ministério da Fazenda, mas H. Stern e Antonio Bernardo dispensaram procedimento | Foto: Divulgação

As investigações sobre o caso do ex-governador do Rio de Janeiro (RJ), Sérgio Cabral (PMDB), revelaram, além de altas cifras, um dos procedimentos utilizados pelo político para lavar dinheiro: Ele usava as propinas para comprar joias milionárias em famosas lojas brasileiras. Só que as joalherias, que inicialmente apenas denunciaram as transações, também entraram na mira dos procuradores da Operação Lava Jato.

Tanto H. Stern quanto a Antonio Bernardo, nas quais Cabral e a esposa faziam compras, teriam dispensado procedimentos padrões na comercialização de produtos do tipo. Empresas deste e de outros setores, como galerias de arte (também usadas por Cabral para lavar dinheiro) e imobiliárias, são obrigadas a informar todas as vendas que ultrapassem R$ 10 mil ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão do Ministério da Fazenda.

Em casos como o do ex-governador, o repasse de informações é ainda mais necessário. Ele se encaixa no perfil de “pessoa politicamente imposta”, classificação de pessoas que têm maior probabilidade de terem recebido suborno ou propina.

Segundo a diretora comercial da H. Stern, Maria Luiza Trotta, Cabral fazia compras diretamente da sua casa, selecionando as peças que queria de uma amostragem levada pela loja. Ele pagava pelas joias, que chegavam a custar R$ 100 mil, em dinheiro vivo. Ainda segundo ela, a empresa não guardava os certificados das joias por “questão de confidencialidade”.

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