Empresas beneficiadas em esquema de fraude doaram para campanha do prefeito de Caldas Novas

Prefeito da cidade, servidores e empresários estão presos temporariamente

Coletiva no Ministério Público sobre Operação Negociata | Foto: Mayara Carvalho

Integrantes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) que atuam na Operação Negociata deflagrada na última quinta-feira (14/9) e investiga suspostas fraudes em licitação, lavagem de dinheiro e troca de benefícios na Prefeitura de Caldas Novas, anunciaram que empresas beneficiadas nos esquemas fizeram doação para a campanha do prefeito da cidade, Evandro Magal, em 2016.

A informação foi divulgada na manhã desta sexta (15) durante entrevista coletiva na sede do Ministério Público. A investigação do MP, entretanto, continua sob sigilo e novas informações ainda não podem ser reveladas.

A Operação Negociata é resultado de um trabalho de cerca de dois anos que teve início depois que o Gaeco recebeu uma investigação da Procuradoria de Crimes Praticados por Prefeitos. A investigação apura um suposto esquema existente entre alguns empresários e o poder Executivo de Caldas Novas.

“São vários fatos que estão sendo apurados. Temos algumas fraudes em procedimentos licitatórios, como direcionamento de licitação para determinadas empresas, inclusive inexistentes. Recebimento de vantagens por integrantes do Executivo em troca, por exemplo, da alteração do Plano Diretor para beneficiar determinado empreendimento. Nós temos recebimento de outras vantagens, sejam pecuniárias ou através de bens, pra que atos fossem praticados, além da ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro”, resumiu o coordenador da operação, promotor Luís Guilherme Gimenes.

Durante as buscas realizadas nesta quinta-feira (14), foram encontradas planilhas de valores que indicam o recebimento de vantagens indevidas.

De acordo com o promotor, há ainda elementos indicativos de que houve tentativa de alteração de provas da investigação. “Essa alteração pode caracterizar fraude processual também e foi ocorrida pouco tempo antes da deflagração da operação”.

Diligências

O trabalho, realizado pelo Gaeco e pelo Centro de Inteligência do MP, com o apoio das polícias Civil, Militar e Rodoviária Federal e do Gaeco do MP-MG cumpriu 32 mandados de busca e apreensão e nove prisões.

Dos nove suspeitos, um foi preso em Santa Vitória (MG), três em Goiânia e cinco em Caldas Novas, que já foram trazidos à capital. A operação também cumpriu mandados em Morrinhos, Itumbiara, Aruanã e Aparecida de Goiânia.

Entre os presos estão o prefeito, Evandro Magal, o empresário José Junior, o ex-secretário de Saúde de Caldas Novas, Luciano Filho, João Afonso Neto, o ex-presidente do Fundo de Previdência de Caldas Novas (CaldasPrev), Rosane Rodrigues Rosa, ex-pregoeira da prefeitura, Rony Lopes de Jesus, que trabalha na prefeitura cuidando das licitações, a enfermeira Yara Bandeira Azevedo e o diretor da Secretaria de Administração de Caldas Novas, Marcos Patrício Alencar. Em Santa Vitória, o suspeito foi identificado como Sandro Silva Guimarães.

Eles estão presos temporariamente por cinco dias, prazo que termina na próxima segunda-feira (17/9) e ainda não foram ouvidos.

Entre os alvos dos mandados de busca e apreensão, estão um dos sócios do Grupo Prive, de Caldas Novas, Waldo Palmerston, e o vereador Saulo Inácio (PSDB), que também trabalha na empresa.

Em Goiânia, a polícia realizou diligências em duas lojas. A Nacional Materiais Elétricos, que funcionava apenas como empresa de fachada, e a Brasil Iluminação, na Avenida Castelo Branco, em Campinas.

Ao todo, dentre os objetos encontrados nas buscas, estão um revólver calibre 38, aproximadamente 120 mil dólares em espécie, moeda nacional em espécie, cheques e documentos. Os investigados foram encaminhados ao IML, onde passarão por exames e, posteriormente, encaminhados ao Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia.

Afastamento do prefeito

O prefeito de Caldas Novas, Evandro Magal, preso na Operação Negociata, já havia sido afastado do comando do Executivo em novembro do ano passado por abuso de poder durante a eleição de 2016. Em fevereiro deste ano, o Tribunal Superior Eleitoral concedeu uma liminar e Magal reassumiu a prefeitura.

Agora, ele pode ser novamente afastado do cargo. De acordo com o promotor Luís Guilherme, no âmbito da Operação Negociata também serão tomadas medidas na área cível e todo o material será encaminhado para a Promotoria do Patrimônio Público que poderá pedir o afastamento de Magal.

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