“Eu não queria ter que fechar”: empresária de Anápolis faz apelo após se endividar para manter restaurante
29 agosto 2026 às 12h24

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Abrir o próprio negócio era um sonho antigo de Janaine Rodrigues. Há quatro meses, ela decidiu apostar tudo o que tinha para colocar de pé o BRASAÔ – Espetinhos & Jantinhas, na Rua Leopoldo de Bulhões, no Setor Central de Anápolis. Comprou mesas, cadeiras, pratos, copos e os demais itens necessários para começar do zero.
A inauguração foi movimentada e, segundo Janaine, os primeiros meses deram sinais de que o sonho poderia dar certo. Clientes conheceram o restaurante, voltaram e passaram a indicar o espaço para amigos. O problema veio depois, quando o movimento começou a cair. Com as contas chegando e menos dinheiro entrando no caixa, a empresária afirma que passou a recorrer a empréstimos informais para conseguir manter o restaurante funcionando. O dinheiro era utilizado para pagar funcionários, aluguel e comprar mercadorias.
O que começou como uma tentativa de atravessar um período difícil acabou se transformando em uma dívida que, segundo ela, cresceu rapidamente. Em um vídeo publicado nas redes sociais, Janaine decidiu explicar melhor a situação depois de fazer um primeiro pedido público de ajuda. Ela conta que precisava de dinheiro para quitar os empréstimos e, ao mesmo tempo, continuar comprando os produtos necessários para trabalhar. “Eu fui me perdendo e eu não fui vendo”, desabafou.
Segundo a empresária, quando chegava a hora de pagar uma dívida, o caixa já não tinha recursos suficientes. Para não interromper o funcionamento do restaurante, ela buscava outro empréstimo. “Foi ficando esse ciclo vicioso: paga um agiota, vence um agiota, pega outro agiota para pagar o que venceu, para comprar mercadoria”, relatou.
Apesar das dificuldades, Janaine afirma que o problema não é a falta de clientes. Ela diz que o BRASAÔ tem recebido pessoas que gostam da comida e retornam ao estabelecimento, além de levarem amigos. “Não é que eu não venda. Se eu falasse para vocês ‘não, Brasaô, eu não estou vendendo’, eu estaria mentindo. Porque vende. Só que o que vende, o que está entrando, eu tenho que pagar”, explicou.
A empresária afirma que o dinheiro arrecadado nos últimos dias já foi utilizado para quitar parte das dívidas. Com isso, o restaurante ficou sem recursos para comprar novos produtos. Em um dos dias, segundo Janaine, ela sequer conseguiu abrir o estabelecimento porque não tinha mercadoria suficiente para trabalhar. “Hoje eu não vou conseguir abrir o espetinho porque eu não tenho mercadoria”, afirmou.
Para ela, a falta de capital de giro se tornou o principal obstáculo. A estratégia agora é conseguir recursos para recompor o estoque, voltar a vender e fazer o dinheiro circular novamente. “Eu tendo mercadoria, eu trabalho. Eu tendo mercadoria, eu giro o dinheiro”, disse.
“Eu não queria ter que fechar”
Janaine sabe que a história pode chamar atenção justamente porque o restaurante tem apenas quatro meses de funcionamento. Ela mesma reconhece que algumas pessoas podem se perguntar como uma empresária tão jovem chegou a uma situação financeira tão delicada em tão pouco tempo.
A resposta, segundo ela, está no sonho de ter o próprio negócio. “Eu tenho um sonho. E por esse sonho meu, eu queria fazer acontecer. Eu queria fazer dar certo porque eu vejo potencial. Meu ponto é bom. Minha comida é boa. E eu não queria desistir”, afirmou.
Ela também faz questão de dizer que não está acusando ou julgando as pessoas que emprestaram dinheiro. Segundo Janaine, quando precisou dos recursos, foi atrás delas e recebeu ajuda. Agora, entende que também existe a necessidade de devolver o dinheiro. “Da mesma forma que eu preciso, eles também precisam”, declarou.
A empresária afirma ainda que não está sendo ameaçada e que tem tentado pagar os credores aos poucos, conforme o dinheiro entra no caixa.
Apelo nas redes sociais
Foi diante desse cenário que Janaine decidiu tornar pública a situação. Depois do primeiro vídeo, ela conta que o conteúdo ganhou repercussão e que mais pessoas passaram a conhecer o BRASAÔ.
Nos últimos dias, segundo ela, clientes chegaram ao restaurante justamente depois de terem visto o pedido de ajuda nas redes sociais.
A empresária acredita que conseguir recuperar o estoque pode ser o primeiro passo para colocar o negócio novamente nos trilhos. A intenção é utilizar eventuais doações para comprar mercadorias, manter o restaurante funcionando e, com o faturamento, reorganizar as dívidas. “É uma caminhada. Não é um problema que eu consigo resolver do dia para a noite”, reconheceu.
Mesmo diante da dificuldade, Janaine diz que ainda acredita que o restaurante pode dar certo. “Eu vou continuar tentando, eu vou continuar lutando. Eu estou aqui. Eu vou tentar”, afirmou.
No fim do vídeo, ela faz um pedido direto a quem acompanha sua história. “Se você puder, gente, um real, um real que seja, se puder dar um real, dois reais, que não vai fazer falta para você, pode ter certeza que vai fazer toda a diferença para mim.” “Eu não queria ter que fechar. Não queria”, concluiu.
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