Empresa italiana arremata leilão da Celg-D

Única interessada, Enel deu lance de R$ 2,187 bilhões no evento realizado em São Paulo

Secretária de Goiás Ana Carla Abrão durante coletiva em São Paulo

Secretária de Goiás Ana Carla Abrão durante coletiva em São Paulo

Atualizada às 11h30

Uma empresa italiana deu lance de R$ 2,187 bilhões e arrematou o leilão da Centrais Elétricas de Goiás Distribuições (Celg D), realizado na manhã desta quarta-feira (30/11), em São Paulo. O valor mínimo era de R$ 1,792 bilhão.

Única interessada, a Enel SpA (Enel) é uma empresa italiana que atua na área de energia em mais de 30 países do mundo. No Brasil, com a nova companhia, atenderá a mais de 3 milhões de clientes em distribuição de energia.

Comandado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o processo teve ágio de 28,03%,

Segundo a secretária da Fazenda de Goiás, Ana Carla Abrão, que está na capital paulista acompanhando o leilão, com a conclusão da venda, a Celg deixa de ser um “gargalo” para o desenvolvimento de Goiás.

“Comemoro este momento e, mais que isso, tenho certeza que compradores estão adquirindo um ativo excelente, em um estado excelente, que certamente dará o retorno esperado e se tornar um investimento satisfatório”, declarou em coletiva de imprensa.

O presidente da Eletrobras (dona de 51% dos ativos da companhia goiana), Wilson Ferreira, avalia o leilão como uma demonstração de confiança no Brasil. “Demos um passo importante, o primeiro deles, pois ainda temos mais seis processos de privatização como este, estamos felizes que foi um sucesso. Recurso será importante para recuperação da Eletrobras”, explicou.

Chefe do grupo Enel no Brasil, o engenheiro Carlo Zorzoli afirmou que a compra da Celg é uma etapa muito importante no desenvolvimento da empresa no país. “Temos dois pilares estratégicos no mundo: crescimento na rede de distribuição, com tecnologia, digitalização e modernização, e energias renováveis. No Brasil, conseguimos, com esta operação, atuar nas duas linhas estratégicas”, explicou.

Processo

O conteúdo técnico e econômico da oferta da Enel Brasil será analisado entre esta quarta (30) e o dia 9 de Dezembro de 2016, quando o BNDES deve anunciar os resultados preliminares da avaliação. O resultado final do leilão deve ser anunciado pelo Governo no dia 20 de dezembro.

A assinatura e a conclusão do contrato de compra estão previstos para ocorrer no primeiro trimestre de 2017, após aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

A desestatização é realizada em duas etapas: a primeira será o leilão a ser realizado na Bovespa para alienação de ações equivalentes a 94,84% do capital social da Celg D ao preço mínimo de R$ 1,792 bilhão. A segunda será a oferta de ações aos empregados e aposentados equivalente a 5,09% do capital da empresa no valor de R$ 82,6 milhões.

No primeiro leilão, realizado em agosto deste ano e que acabou deserto por falta de interessante, o valor inicial era de R$ 2,8 bilhões.

Em setembro, o Programa de Parcerias de Investimento da presidência da República (PPI) atualizou o valor da Celg D para R$ 4,448 bilhões. Como o futuro acionista terá que assumir dívidas e outras obrigações no total de R$ 2,656 bilhões, o valor líquido referente às ações da empresa ficou em R$ 1,792 bilhão (incluído parcela dos minoritários, de 0,07%).

Celg

Fundada em 1956 e com sede em Goiânia, a Celg (que atualmente é subsidiária da Eletrobras) atua em um território que cobre mais de 337 mil km² por meio de uma concessão que é válida até 2045. A venda da estatal é parte do processo de privatização de ativos lançado pelo governo do presidente Michel Temer (PMDB).

O mercado da Celg inclui 237 municípios com uma população de 6,2 milhões de pessoas. A base de clientes, de 2,9 milhões, é atendida por meio de uma rede de mais de 200,8 mil quilômetros.

 

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