Em meio a greve da Educação, governo chega a 100 dias de mandato

Raio-X desses primeiros meses apontam atraso no salário de dezembro como principal causador de conflitos

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Bia de Lima | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Luiz Phillipe Araújo e Leicilane Tomazini

No balanço dos 100 dias de governo Caiado, a Educação também se destaca como setor que viveu e ainda vive crises de gestão. Em janeiro, quando a secretária da Economia, Cristiane Schmidt, informou que não havia caixa para o salário de dezembro, profissionais da categoria marcaram presença em atos que reivindicavam o pagamento. Era só o começo.

No fim de janeiro, quando houve a primeira grande assembleia unificada de servidores, escolas estaduais do interior do Estado registraram paralisações em massa. No dia seguinte ao ato, Cristiane Schimidt afirmou que o salário de dezembro poderia começar a ser pago na mesma semana, o que de fato aconteceu, mas para menos de 15% da categoria.

Após estabelecer um escalonamento que priorizava a quitação de salários menores, o Governo Estadual quitou 14% da folha antes da primeira quinzena de fevereiro, o que motivou novos protestos de servidores.

Fundeb e a Suplementação

Desde o inicio das negociações, profissionais da Educação e entidades representativas apresentavam a possibilidade dos pagamentos serem feitos a partir dos recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb). Possibilidade que foi confirmada pela secretária da Economia.

Entretanto, mesmo após a comprovação de recursos vindos do fundo, o escalonamento continuou registrando atrasos, já que segundo o Governo Estadual, o caixa continuava insuficiente para a quitação da folha da antiga gestão do Governo.

Outra tentativa de pagamento foram Suplementações aprovadas em votação na Assembleia Legislativa. Na época foram liberadas parcelas que totalizaram R$ 48 milhões para pagamento do salário de dezembro. Mesmo após a liberação dos recursos e pagamento de mais uma parte dos trabalhadores, 42% da categoria seguiu sem receber a folha em atraso.

Greve

Após 90 dias de governo, três meses entre promessas de quitação e adiamentos, o Sintego realizou no dia 1º de abril uma assembleia em que professores decidiram pela deflagração de greve.

No dia da decisão, a secretária da Educação relembrou que a Assembleia aprovou algumas suplementações, mas segundo a líder da pasta não haveria “mais nada que poderia mandar para transformar em folha”. Fátima ainda afirmou que a greve não faria entrar dinheiro no caixa.

Em nova assembleia dos trabalhadores realizada no dia 8 deste mês, a categoria decidiu por dar continuidade à greve. Nesta quarta-feira, 10, quando se completam 100 dias de governo Caiado, professores de diversos colégios estão de braços cruzados e 42% deles seguem sem receber o salário de dezembro.

Reordenamento

Entre as primeiras ações anunciadas da pasta estavam articulações de medidas, entre elas uma que prometia “adequar a quantidade de alunos da rede estadual às unidades de ensino disponíveis”, ou apenas “reordenamento“. Segundo a secretária, o objetivo maior seria otimizar os recursos da Educação e reorganizar a rede estadual.

Logo que começou a ser colocado em prática, a ação tornou-se alvo de críticas, já que muitos alunos, pais e professores reclamaram da forma que o remanejamento estava sendo executado.

A presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação no Estado (Sintego), Bia de Lima, disse que é preciso razoabilidade para que pais e alunos não sejam pegos de surpresa, mas considera que o remanejamento é um “processo importante”.

Críticos às ações da pasta desde a posse, integrantes da Associação pela Mobilização dos Professores em Goiás (AMPG) são expressamente contra o reordenamento. Um dos fundadores do movimento, o professor Thiago Oliveira Martins, diz entender que a quantidade de alunos por sala que a nova configuração permite vai em desencontro à lei e prejudica o ensino.

Thiago pontua que há, ainda, o problema do desemprego entre os professores temporários, ocasionado pelo fechamento dos colégios. Já os efetivos enfrentam problemas no deslocamento até as unidades de ensino.

O integrante da AMPG disse, ainda, que as declarações da secretária Fátima Gavioli sobre fechar escolas para economizar recursos são totalmente contrárias a um modelo de educação humanista. “Educação não é gasto, é investimento”, concluiu Thiago.

A secretária, por sua vez, diz que a medida é essencial para garantir o fortalecimento das escolas. “Aqui em Goiás era permitido construir escolas até para atender desejos políticos, então temos uma unidade com 100 alunos em um lugar e a menos de 1,5 km outra com 100 também, então se eu juntar essas duas, eu terei uma escola forte”, disse.

UEG

A UEG entrou pra lista das vítimas da crise financeira vivida pelo Estado. No início de 2019, o Governo de Goiás reduziu em 20% o orçamento da instituição, ampliando cortes que haviam sido feitos entre novembro e dezembro de 2018. Além disso, os servidores enfrentam o atraso do salário de dezembro e do 13º de aniversariantes.

Em meio à inquestionável crise de recursos, servidores da instituição iniciaram movimentos que exigiam melhorias na universidade. Entre as pautas o pagamento do salário de dezembro, pagamento de bolsas de pesquisa, garantia de participação em eventos científicos, garantia de realização de trabalhos em campo. Os professores ainda protestavam contra suspensão na progressão de carreira, cortes no orçamento e aprofundamento da precarização das condições de trabalho e ensino.

A instituição se posicionou alegando que acompanha de perto a situação da folha salarial de dezembro dos servidores da Instituição, bem como tem buscado reverter os cortes em seu orçamento.

Além disso, a instituição foi tomada por uma polêmica, quando o reitor Haroldo Reimer pediu afastamento. Ele é apontado pela Controladoria Geral do Estado (CGE) por envolvimento na nomeação de familiares, sócios e amigos para atuação em cargos no Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec).

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