Em depoimento na CPI da Covid, Ernesto Araújo nega ataques à China

O ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo, teve uma gestão marcada por desavenças com a China, um dos principais parceiros comerciais do Brasil e importante exportador de insumos

Ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo | Foto: reprodução

No sétimo dia de depoimentos na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, o ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo está sendo ouvido na condição de testemunha,. Os senadores cobram explicações sobre as críticas à China, mobilização do Itamaraty para compra de medicamentos sem eficácia contra a Covid-19 e sobre aquisição de vacinas.

Araújo esteve à frente do Itamaraty entre janeiro de 2019 e março de 2021, com uma gestão marcada por desavenças com a China, um dos principais parceiros comerciais do Brasil e importante exportador de insumos para a produção da Coronavac. Na época, Araújo entrou em discussões com o embaixador chinês e chegou a chamar o coronavírus de “comunavírus”, em referência ao país asiático. Senadores tentam apurar o impacto dessas críticas nas negociações para a compra de vacinas, insumos e equipamentos.

Em seu depoimento, Ernesto Araújo disse que em março de 2020 havia expectativa da eficácia do uso de cloroquina e hidroxicloroquina para o tratamento da Covid e negou que tenha feito declarações antichinesas. “Não entendo nenhuma declaração que eu tenha feito como antichinesa”, disse. Após ser indagado por Renan Calheiros (MDB-AL), Araújo negou ainda a existência de grupo de aconselhamento paralelo ao presidente Bolsonaro para assuntos relacionados à pandemia.

Há poucos minutos, Renan questionou o porquê de Araújo ter sido contrário à adesão ao consórcio Covax Facility. Momento em que o ex-chanceler negou ser contra e disse que a opção de 10%, ao invés de 50% a que o Brasil teria direito em vacina, foi tomada pelo Ministério da Saúde. Araújo disse que foi iniciativa dele o apoio do Brasil à iniciativa dos EUA na ONU, durante o governo Trump, contra reconhecer esforços da OMS. “Atuação da OMS foi errática, problemática. Não podíamos dar carta branca”, afirmou.

Até agora, já prestaram depoimento os ex-ministros da Saúde Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich; o atual ministro da pasta, Marcelo Queiroga; o presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres; Fabio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação da Presidência da República; e Carlos Murillo, representante da Pfizer.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.