Eleições 2022: combater a apatia dos eleitores jovens com voto facultativo será um desafio para os candidatos

O prazo para essa parcela da população confirmar a participação nas eleições de outubro se encerra em maio e, de acordo com uma pesquisa da Luminate, esse grupo não parece disposto a tirar o título eleitoral

Nas eleições de 2018, os jovens de 16 e 17 anos, cujo o voto eleitoral é facultativo, não tiveram muita presença na decisão do pleito. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), houve uma queda de 40% da participação desse grupo em relação ás eleições de 2016. Uma pesquisa feita pela Luminate, mostrou que a perspectiva para 2022 é que esse número continue caindo.

O grande desafio para os candidatos aos cargos políticos em 2022, será fazer com que esse grupo procure tirar o título eleitoral até maio, que é quando se encerra o prazo. Contudo, como aponta a pesquisa da Luminate, a crescente polarização política para o atual momento eleitoral, com os líderes nas pesquisas tendo alta rejeição, a tendência é que esses jovens não queriam tirar seu título de eleitor.

Em uma análise mais qualitativa, as pesquisadoras Esther Solano e Camila Rocha, da USP, produziram a pesquisa “Juventude e democracia na América Latina”, em conjunto com a Luminate. Dentre os dados recolhidos, ficou evidente o descontentamento dos jovens brasileiros com a vida política nacional.

Segundo a análise das pesquisadoras, os jovens entrevistados consideram, entre os pontos principais, que o país está afundando na corrupção, que o sistema político é sujo e corrompido, e não se pode mais confiar nele. Contudo, alguns dos participantes dessa pesquisa reconheceu que é importante essa faixa etária ter mais presença política, principalmente em manifestações. Mas, eles também afirmaram que não participam muito de atos do tipo por medo da violência policial, conflitos familiares, e receio de consequências agressivas da polarização política (conflitos entre manifestantes).

Ainda segundo a análise das pesquisadoras, a presença política desses jovens é mais forte nas redes sociais. Eles tem maior tendência de se engajar de forma online em questões próximas de sua comunidade e a atuação de ONGs e universidades são as mais bem vistas por eles, enquanto que toda a esfera institucional é encarada com desconfiança.

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