Eleição para presidente da Câmara fica mais acirrada com possível desistência de vice

Caso o deputado estadual Major Araújo decida não assumir o mandato de vice-prefeito, próximo presidente do Legislativo “ocupará” o posto

Anselmo Pereira, presidente da Câmara | Foto: Alberto Maia

Anselmo Pereira, presidente da Câmara, e candidato à “reeleição” | Foto: Alberto Maia

Após as declarações do vice-prefeito eleito de Goiânia, Major Araújo (PRP), de que considera não assumir o mandato em janeiro, a eleição para a mesa diretora da Câmara Municipal de Goiânia no próximo dia 1º janeiro ganha dupla importância, já que o presidente do Legislativo acumulará a função de assumir o Executivo na ausência do prefeito.

De acordo com o vice do prefeito Iris Rezende (PMDB), entre assumir o cargo e permanecer com seu mandato de deputado estadual, hoje a probabilidade é de “50 a 50”.

“Posso assumir ou não assumir, hoje a probabilidade é a mesma”, disse o deputado estadual Major Araújo (PRP) ao Jornal Opção sobre seu mandato como vice-prefeito de Goiânia.

Ainda cautelosos em relação à indefinição, a maioria dos vereadores que já colocam seu nome como candidatos à presidência da Casa não negam que a ausência do vice muda o âmbito da disputa.

Segundo o vereador e possível candidato da base à presidência da Casa, Wellington Peixoto (PMDB), se Major Araújo decidir por manter seu mandato na Assembleia Legislativa de Goiás, muda todo o cenário da eleição na Câmara: “Ele ainda não veio falar com o partido, então estamos esperando para nos pronunciarmos apenas depois de um posicionamento oficial do Major. Se isso se confirmar, o próximo presidente da Câmara vai ser o vice-prefeito e isso muda tudo nas articulações, nas pretensões dos candidatos.”

Ainda de acordo com o peemedebista, a base espera para definir um nome de consenso. “Eu acredito que para o próximo biênio, o presidente da Câmara sairá da base. Iris já deixou claro que aquele que conseguir uma melhor articulação junto aos outros vereadores será o escolhido”, completou.

Também candidata à presidência da Casa, a vereadora Dra. Cristina Lopes (PSDB) avalia que, caso a desistência se confirme, aumenta o interesse pelo cargo de chefe do Legislativo.

Dra. Cristina na Câmara

Dra. Cristina na Câmara

“A desistência do vice eleito em assumir o mandato intensifica o trabalho diário de construção da candidatura uma vez que o presidente eleito se torna vice, ou seja, assume o Executivo na ausência do prefeito, diminuindo um degrau na escada. Sem dúvida, isso aumenta o interesse. Mas tudo em política é construção, vamos trabalhar para construir um diálogo e viabilizar nosso nome”, afirmou.

Para a candidata à chefia da mesa diretora, seria benéfico para Goiânia uma presidência de oposição à prefeitura “Acho que é possível eleger um presidente que não seja da base porque isso depende dos vereadores eleitos. Claro que existe uma interferência de pessoas externas, principalmente do prefeito, mas acredito que não apenas é possível, como também seria muito benéfico para a cidade.”

Interesse

O atual presidente e candidato para mais dois anos à frente da Câmara, vereador Anselmo Pereira (PSDB), já dispara que se considera o mais preparado entre os parlamentares para assumir a função. “Tenho que dizer que sou o mais bem preparado para assumir a prefeitura em caso de eventual falha, viagem ou qualquer questão administrativa que afaste o prefeito eleito Iris Rezende (PMDB)”, afirmou.

Wellington Peixoto (PMDB)| Foto: Alberto Maia / Câmara Municipal

Wellington Peixoto (PMDB)| Foto: Alberto Maia / Câmara Municipal

“Não vou me tirar do primeiro lugar, tenho nove mandatos, fui prefeito por alguns dias, sou presidente da Câmara e tenho certeza de que fiz um bom trabalho aqui, então afirmo que pode ter alguém igual a mim, mas melhor que eu não tem jeito.”

Ainda segundo o tucano, o ideal para a eleição do Legislativo seria a viabilização de um nome que fosse unanimidade. “Estamos trabalhando para construir uma chapa única. É o ideal para que tenhamos uma Câmara tranquila, mas se não der para construir o ideal, vamos para o que manda a democracia.”

O também candidato, Paulo Magalhães (PSD) considera que o pleito ainda está bastante indefinido, mas critica a postura de Major Araújo em anunciar que considera não assumir o mandato. “É uma decisão pessoal do deputado, e ele tem o direito de aceitar ou não ser vice-prefeito. Mas eu, particularmente, jamais deixaria a vice-prefeitura porque acho que tem que respeitar a votação. Essa questão de não ter espaço na gestão, é uma questão pessoal. O vice vira decorativo se aceitar essa situação, se não tomar um posicionamento de exigir respeito e mostrar trabalho”, argumentou.

Apesar das especulações, Major Araújo nega que a situação tenha algo a ver com a distribuição de cargos no governo de Iris Rezende e assegura que não há qualquer desconforto com o prefeito eleito ou com o PMDB. Segundo ele, a reconsideração seria fruto de pressão de sua base política, que exige que ele permaneça na Assembleia.

Influência do Legislativo estadual

Clécio Alves, ex-presidente da Casa | Foto: Alberto Maia/Câmara de Goiânia

Clécio Alves, ex-presidente da Casa | Foto: Alberto Maia/Câmara de Goiânia

Outro peemedebista de nome forte para assumir a presidência da mesa diretora da Casa é Clécio Alves, que pode nem estar no Legislativo municipal em 2017. O vereador reeleito, que já foi presidente da Câmara em 2013-2014, pode decidir por assumir a vaga de Ernesto Roller (PMDB), eleito prefeito de Formosa, na Assembleia.

Como tem até meados de janeiro para decidir se troca de casa legislativa, Clécio pode esperar o resultado da eleição da mesa da Câmara para decidir se fica como vereador, mas ele nega que este seja o motivo para a indefinição.

“Uma coisa independe da outra, mas caso venha a ser eleito presidente da Câmara, nem cabe mais pensar na outra possibilidade, que é a de assumir uma vaga como deputado. Isso é indiscutível.  Estou preparado para ser vereador, deputado, presidente da Câmara, prefeito e até para ser governador se o povo me der oportunidade” arremata.

Sobre a influência da desistência de Major Araújo na escolha do próximo presidente da Câmara, Clécio Alves lembrou que, pelo perfil centralizador de Iris Rezende, a ausência de um vice-prefeito não afetará o Legislativo. “Quem conhece Iris sabe que ele dificilmente se afasta do cargo. Nos mandatos anteriores, nem quando ficou internado ele se afastou. Ficou despachando do hospital mesmo”, conta.

Assim como outros peemedebistas, Clécio também adotou o discurso de respeito à decisão do Major. “Na minha opnião, isso não muda na nossa eleição aqui. Não sei nem se tem procedência essa possível desistência, mas é uma decisão legítima. Ele pode escolher ser vice-prefeito, ou continuar deputado, cabe a ele decidir e a mim, respeitar.”

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.