“Ele sempre foi um perseguidor”, diz vice de Tormin, após demissão de comissionados

Depois de 120 dias afastado por decisão judicial, prefeito de Luziânia, Cristóvão Tormin retoma posto e realiza demissão em massa

Prefeito Cristóvão Tormin (PSD) e a vice Edna Aparecida (Podemos)

Com o final do prazo de 120 dias de afastamento determinado pela Justiça, o prefeito de Luziânia, Cristóvão Tormin (PSD), reassumiu a cadeira que havia sido ocupado pela sua vice, Edna Aparecida (Podemos), desde fevereiro deste ano. O prefeito afastado retomou o posto nesta segunda-feira, 19, e imediatamente publicou o decreto 001/2020 exonerando todos os servidores de cargos comissionados do município.

Investigado em diversos processos por suspeitas de nepotismo, corrupção e contratação de centenas de servidores fantasmas, a principal denúncia que teria afastado o gestor é relação a uma investigação coordenada pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO), de que Tormin teria importunado e assediado dezenas de servidoras da prefeitura, algumas em seu próprio gabinete.

Ao Jornal Opção, a vice e atual candidata à prefeitura, Edna, afirmou que não acredita ter sido um bom momento para o retorno do prefeito investigado. “Tendo em vista este momento de pandemia, e que nós estávamos organizando a casa, pagando contas ainda do ano de 2015. Estávamos com vários projetos em andamento, inclusive, repasses do governo federal. Consegui destravar muita coisa. Ele entrou exonerando todo mundo e parando toda a cidade”, afirmou.

“Isso é muito ruim para Luziânia. Travou tudo. Hoje não tem diretor de hospital, não tem diretores de UPAs. A gente tem algumas secretaria em que 80% dos funcionários eram comissionados. Simplesmente exonerou todos. Não voltaram para trabalhar agora à tarde”, contou.

Ela também comentou que outro oficial de Justiça já procurou Tormin, acerca de outro processo que corre em segredo de Justiça, sobre improbidade administrativa. No entanto, ela nega saber mais sobre o caso.

“Não tenho nenhum diálogo com o prefeito. Nem mesmo os secretários, que fizeram transição. Deixamos tudo pronto para quando ele chegasse. Ele encontrou tudo documentado de todas as secretarias. Ao contrário de quando entrei, não havia nem uma folha no gabinete para que eu fizesse um único documento”, disse Edna.

Ao ser perguntada das razões que teriam motivado o prefeito a demitir os comissionados, a vice respondeu: “É o normal dele. Ele sempre foi um perseguidor”. Única candidata mulher à prefeitura de Luziânia, ela afirma que irá continuar trabalhando para o melhor da cidade, independente se decisões judiciais manterem Tormin no cargo. “Vamos tocando, fazendo nosso serviço. Cabeça erguida, bola para frente e vamos trabalhar que é o que sabemos fazer” concluiu.

O Jornal Opção tentou contato com o prefeito Cristóvão Tormin para que pudesse contar sua versão, mas não obteve resposta. O veículo mantém seus canais abertos, caso o gestor queira se posicionar.

Confira decreto:

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