Economista analisa disparada do dólar após Guedes falar em ‘furar teto’

Moeda chegou a ser cotada em R$ 5,637 nesta quinta-feira (21). Investidores reagiram após ministro da economia pedir licença para gastar R$ 30 bilhões a mais do que o previsto

Ministro Paulo Guedes quer furar teto para dar auxílio de R$400. | Foto: reprodução

A fala do ministro da economia repercutiu na bolsa de valores. O dólar disparou, nesta quinta-feira (21), após Paulo Guedes pedir licença para gastar R$ 30 bilhões acima do teto para bancar o Auxílio Brasil. Segundo o economista Everaldo Leite, o mercado reagiu negativamente porque enxerga a medida como populismo fiscal.

A moeda estrangeira chegou a ser cotada a R$5,637 por volta das 10h10. A bolsa de valores caiu 1,7%. Na quarta-feira (20), o dólar fechou em queda, a R$ 5,5583. O maior valor do câmbio neste ano foi registrado em meados de abril, quando atingiu R$5,6750.

O anúncio do Auxílio Brasil de R$ 400 pelo governo foi adiado depois de pressão do mercado. No entanto, na última quarta-feira (20), o ministro confirmou que estudava uma forma de alterar o teto de gastos para pagar o benefício. “Nenhuma família vai receber menos que os R$ 400”, afirmou Guedes durante evento promovido pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc).

Segundo o economista Everaldo Leite, os investidores aceitam o furo do teto apenas como medida excepcional e urgente. “O teto dos gastos foi criado por uma emenda constitucional que impedia o governo de aumentar os gastos públicos durante 20 anos. A pandemia permitiu o furo do teto. Se há uma necessidade, uma questão séria, o mercado aceita o furo”, explicou Everaldo Leite.

Por outro lado, quando a medida é adotada para conceder benefício social, o mercado não costuma responder bem. “O Guedes diz que quer furar o teto para dar benefício de R$ 400. Isso é visto como ‘populismo fiscal’. O mercado é contra isso. Foi, inclusive, o argumento econômico usado para derrubar a Dilma na questão das pedaladas fiscais”, expôs Everaldo Leite.

Mais do que populismo econômico, o economista ressalta que a medida anunciada pelo ministro pode caracterizar populismo político. “Essa decisão do governo é a gota d’água para o mercado. Dar mais dinheiro para população vulnerável em ano de eleição mostra que o Paulo Guedes está querendo dar pedalada (fiscal)”, apontou o especialista.

Everaldo Leite explicou que, neste caso, a alta do dólar foi impulsionada pela alta procura, pois os investidores preferem se resguardar frente às medidas do governo.

Se confirmada a decisão do governo de furar o teto de gastos, os efeitos negativos se prolongarão a longo prazo. O país vive alta da inflação e problemas na demanda de consumo. A renda média do brasileiro é baixa e a taxa de desemprego alta.

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