“Donos do capital imobiliário é que definem rumos de Goiânia”, critica especialista

Candidato da “chapa 2” na disputa pelo comando do CAU-GO, Frederico Rabelo diz que falta planejamento na capital e que questões políticas impedem avanços

Foto: reprodução/ Facebook

O arquiteto Frederico Rabelo afirmou, durante entrevista ao Jornal Opção, que a questão política tem sempre prevalecido na discussão acerca do Plano Diretor de Goiânia — que passará por nova revisão em 2017. Segundo ele, os atores que realmente definem os rumos da cidade são “os donos do capital imobiliário”.

Candidato a conselheiro da “chapa 2” na disputa pelo comando da regional de Goiás do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU), o especialista alerta para o fato de que os especuladores influenciam e muito em questões cruciais, como a expansão urbana, os vazios urbanos e a densidade populacional.

“A gente sabe que os técnicos envolvidos [na atualização do plano] têm um trabalho sério e discutem as diretrizes de forma respeitosa, mas muitas das boas propostas esbarram na questão política. Porque hoje quem manda é o setor imobiliário”, asseverou.

Para Rabelo, apesar do bordão de que Goiânia é uma cidade planejada, na prática, isso não existe: “As técnicas têm sido deixadas de lado e a cidade perde qualidade de vida em nome de outros interesses.”

Justamente por isso, ele aponta que a revisão do Plano Diretor deve privilegiar o planejamento metropolitano, em especial na questão da mobilidade, e com recortes específicos para os dez anos de vigência. “Não adianta planejar a longo prazo se a implementação fica muito difícil”, completou.

Questionado sobre os primeiros “prognósticos” apresentados pela Prefeitura de Goiânia, que vai propor incentivo a edifícios multifuncionais e edifícios-garagens, o arquiteto se mostra insatisfeito.

Segundo ele, incentivar prédios que contemplem moradia, trabalho e comércio vai ao encontro da sustentabilidade moderna, pois diminui o deslocamento e melhora a qualidade de vida, mas não é tão fácil quanto se pinta. “A ideia é boa, mas tem que se ter cuidado com a densidade populacional, com as área onde esses edificios multiusos seriam construidos. Tudo isso precisa ser analisado minuciosamente pelo plano diretor, com base em estudos e técnica. Não pode acontecer o que acontece no Centro da cidade: um local onde durante o dia o trânsito pulsa por conta dos comércios e a noite fica abandonado”, opinou.

Por fim, Frederico Rabelo insiste que é preciso pensar em um plano de mobilidade integrado para toda a região metropolitana, que contemple todos os modais: “Sem isso não ha edifício-garagem que dê conta de tanto veículo.”

Eleição 

Nesta terça-feira (31/10), os arquitetos e urbanistas de Goiás elegem a nova diretoria que comandará a entidade entre 2018 e 2020. Em todo o Estado, o número de profissionais aptos a votar é de 2.265, segundo lista publicada pela Comissão Eleitoral Nacional (CEN).

São três chapas concorrendo. Confira a composição de cada uma e as propostas apresentadas: Chapa 1, Chapa 2 Chapa 3.

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