Diminuição de vendas assusta funcionários do shopping Bougainville

Alguns culpam a administração do shopping, outros afirmam que este é o cenário geral

buga

Em quase 40 minutos de conversa, dois clientes entraram na loja e não levaram nada. “Trabalho há 20 anos no ramo. De uns tempos para cá tem piorado muito”, disse a vendedora de uma loja no shopping Bougainville, em Goiânia, que preferiu não se identificar. Aos 45 anos, ela garante que este problema de vendas é geral, e não só do shopping.  Os vendedores reclamam que este ano está pior que 2013.

É o que diz a gerente de uma loja de sapatos, Glísia Soares, que sustenta que ano passado vendeu mais do que esse ano. Há seis anos na loja, a vendedora afirma que o último Natal foi o pior. “E não tenho esperança para este. Parece que o povo está sem dinheiro”, disse. A vendedora garante que o público que costumava comprar vários produtos na loja tem diminuído o poder de compra. “Antes as clientes ‘vips’ vinham na loja, escolhiam bolsas e sapatos sem nem perguntar preço. Agora elas vêm, pedem desconto e esperam promoção.”

Já L., de 28 anos, que trabalha uma loja de sapatos do mesmo shopping, discorda da colega. A vendedora sustenta que não é o poder de compra, mas sim o público do shopping que não está mais frequentando assiduamente como antes. “Os clientes do Bougainville, os classe A, sumiram”, disse.

A vendedora vai além, e diz que o problema também está relacionado à publicidade do local. De acordo com ela, na última semana a administração do shopping disponibilizou uma palestra sobre vendas. Com o tema “Inteligência em vendas e motivação”, o palestrante Matozzo Oliveira, segundo L., tentou ensinar formas de vender mais. Ela, entretanto, não acha que esse deveria ser o foco do shopping. “Vender a gente sabe. Eles deveriam investir mais em publicidade. Tem gente que não conhece aqui.” L. ainda diz que a administração deveria arrumar a fachada do local. “Está muito feio, descuidado”.

Mateus Moreira, funcionário do restaurante Spoleto, também compartilha da mesma opinião que Luciene. Há oito trabalhando tanto na loja do Flamboyant quanto na loja do Bougainville, o cozinheiro explica que o marketing do shopping Bougainville é fraco. “Flamboyant está sempre cheio, mas tem marketing. Já viu propaganda do Bougainville?”, afirmou, citando ainda o Buriti shopping. “Aquilo não era nada há três anos. Eles investiram, está imenso, e é sempre cheio”, disse.

A assessoria de imprensa do Bougainville defendeu dizendo que o shopping realiza um árduo trabalho de propaganda e que o público do shopping é diferenciado. Segundo o órgão, cerca de 11 mil pessoas frequentam o local todos os dias. “Nosso público é mais classe A, mas também realizamos diversos eventos culturais que tem a presença outras várias pessoas. Investimos em festivais de cinema, shows, e sempre temos pessoas diferenciadas”, garantiu, e completou: “Estamos sempre na mídia com campanhas promocionais. Às vezes o vendedor fala algo que desconhece. Temos um retorno de mídia espontânea muito bacana”, disse. O shopping teve em seu cronograma 12 shows esse ano, sendo sete organizados pela administração do local. Quanto à diminuição nas vendas, a assessoria garante que este é um problema geral no comércio. “Este ano foi atípico, com Copa do Mundo e eleições.”

O fato de ser considerado um shopping elitizado pode ser um dos motivos do baixo movimento no local, foco de reclamação dos funcionários. É o que diz Isabel Ferreira, de 64 anos, que estava no local nesta quarta-feira (12/11) fazendo compras. Ela afirma que costuma frequentar o Goiânia Shopping, e que raramente vai ao Bougainville, somente quanto precisa de algo especificamente de lá. “Sempre falaram que aqui era shopping de gente rica, aí nunca gostei de vir aqui”, explica.

Quênia Vieira, de 45 anos, estava fazendo compras até chegar a hora de ir ao salão no shopping. A pecuarista mora próximo ao shopping Flamboyant, mas prefere ir até o Setor Marista. Além do filho estudar nas proximidades, ela afirma que o Bougainville tem um aspecto mais “família”. “Não acho que seja elitizado”, garantiu, completando que aprecia o ambiente. “Eu venho muito para comprar, mas quando quero passear, encontrar algumas amigas, combino de encontrá-las aqui. É tranquilo, gosto. É o Bougainville! Acho os outros shopping muito cheios e barulhentos”, disse. Quênia acredita que as pessoas que vão ao Bougainville vão geralmente para fazer compras, e que todos se conhecem. “Até os eventos aqui são melhores, mais tranquilos”, pontuou.

O gerente da loja The Best of Music está no Bougainville há 4 dias. Pedro Henrique disse que foi convidado para sair da filial do Araguaia Shopping para tentar melhorar as vendas da loja no shopping do Setor Marista. “Francamente, o movimento aqui é baixo demais. Não sei nem se vai adiantar eu ter vindo para cá”, explicou. Sua colega de trabalho, Franciana Lagasse, 26 anos, trabalha há cinco anos na loja, que fornece produtos musicais, como CDs, camisetas de banda e instrumentos musicais. Há dois anos no shopping do Setor Marista, ela explica que ganha menos do que ganhava no Araguaia Shopping. “Aqui não tem jeito. O movimento é pouco sempre”, sustenta, dizendo, entretanto, que o público é cativo. “Temos o pessoal que vem aqui sempre. E eles vêm para comprar.” Mesmo ganhando menos,  Franciana prefere trabalhar onde está atualmente. “Aqui é mais tranquilo, temos menos ‘dor de cabeça’”, sustentou.

O supervisor geral da loja de joias folheadas Rommanel, Felipe Lima, disse que não experimenta da crise descrita pelos outros colegas de profissão. Trabalhando desde criança com vendas, já que os pais também são do ramo, e há dois anos na loja, ele diz que percebeu uma melhora neste ano, comparado com 2013. “Temos visto uma expansão, talvez porque a nossa clientela seja cativa e diferenciada, além do nosso serviço ser de qualidade”, respondeu.

A subgerente da loja de brinquedos “Harry’s”, Fabiana Dias, atuante da loja há 9 anos, também compartilha da mesma experiência que Felipe. “O nosso ramo é diferenciado. Nunca estamos em baixa”, garantiu. Mesmo com pouco movimento, comparado com outras filiais, como a do Goiânia Shopping, Fabiana Dias afirma que a loja em que trabalha não fica atrás nos lucros. “No último dia das crianças o movimento foi baixo, mas nós vendemos mais que no ano passado, que foi mais movimentado”, explicou, dizendo saber das dificuldades de outros colegas do shopping. “Mas aqui não temos isso.”

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Anderson

Concordo, o Bougaville está em nítida decadência. Se o problema é o comércio porque vemos a construção e expansão de vários shoppings na cidade. O local é ótimo, mas falta investimento em publicidade e um nova revitalização, a parte externa está horrível. Se esse é um shopping classe A, podemos dizer que esta sendo desbancado pelos shoppings classe B e C.