Com colaboração de Cilas Gontijo

O Distrito Agroindustrial Norberto Teixeira (Dianot), em Aparecida de Goiânia, tem potencial de ser o maior do Estado, receber cerca de 200 empresas e gerar até 20 mil empregos diretos. A estimativa foi apresentada pelo presidente da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Goiás (Codego), Luiz Antônio Oliveira Rosa, durante o lançamento da segunda etapa de seleção de empreendimentos para o complexo industrial, realizado nesta quarta-feira, 14.

O novo edital prevê o credenciamento permanente de empresas por 12 meses e contempla 146 módulos, distribuídos em aproximadamente 560 mil metros quadrados.

Com mais de R$ 1 bilhão em investimentos privados já atraídos, o distrito entra em uma nova fase de ocupação. A mudança no modelo de seleção busca dar mais tempo para que os empresários reúnam a documentação necessária e apresentem seus projetos, além de permitir que a Codego organize a análise dos pedidos e a distribuição das áreas conforme as necessidades de cada empreendimento.

Lançamento do Dianot | Foto: Cilas Gontijo/Jornal Opção

Na primeira etapa, a companhia conseguiu contemplar 67 empresas, embora a previsão inicial fosse acomodar 32. Segundo Luiz Antônio, o resultado foi possível após negociações individuais para adequar o tamanho dos terrenos solicitados. Parte dos interessados reduziu a área pretendida, enquanto outros desistiram de participar, abrindo espaço para ampliar o número de contemplados.

“Naquele primeiro edital, somente 32 empresas iam caber. Na hora em que fomos conversar uma por uma, negociando o tamanho da área e diminuindo os espaços solicitados, conseguimos colocar 67 empresas”, afirmou o presidente da Codego ao Jornal Opção.

A experiência levou a companhia a reformular o procedimento. Em vez de concentrar o recebimento dos documentos em um período curto, o novo edital permanecerá aberto por um ano, com análise técnica dos pedidos ao longo desse intervalo.

Credenciamento terá análise técnica e prazo de 12 meses

O presidente da Codego explicou que o modelo permitirá acompanhar cada empresa desde o cadastro até a escolha da área e o processo de instalação. Os interessados poderão acessar o edital pelo site da companhia, preencher o cadastro e anexar os documentos exigidos.

A proposta é reduzir as dificuldades enfrentadas por empresas que, apesar de terem potencial para se instalar no distrito, não conseguiram reunir toda a documentação dentro do prazo do primeiro chamamento. “Fizemos uma melhoria contínua do primeiro edital para que as empresas possam se adaptar melhor e para que a própria companhia tenha um planejamento. Agora, vamos analisar a documentação com mais cuidado, considerando questões governamentais, produtividade e quantos funcionários cada empresa pretende contratar”, explicou.

De acordo com Luiz Antônio, o procedimento também integra a implantação da certificação ISO 9001, voltada à gestão da qualidade. A iniciativa pretende estabelecer fluxos internos de trabalho, melhorar o atendimento aos empresários e ampliar a eficiência administrativa da Codego. “Precisamos que a Codego seja uma empresa rentável, que tenha rendimentos e não dê prejuízo ao Estado. Estamos caminhando para isso e também para ter satisfação dos clientes”, disse.

A companhia afirma que trabalha em conjunto com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) e com concessionárias, especialmente a Equatorial, para encaminhar questões relacionadas à homologação de poços artesianos e às ligações de energia elétrica necessárias ao funcionamento dos empreendimentos.

A procura pelas áreas do Dianot já levou a Codego e a Prefeitura de Aparecida de Goiânia a preparar uma terceira etapa de seleção, com previsão de mais 78 módulos. O espaço corresponde a uma área institucional destinada ao município durante a implantação do empreendimento.

Segundo Luiz Antônio, a prefeitura identificou a possibilidade de utilizar a área para ampliar a instalação de empresas em parceria com a Codego. A proposta é contemplar também negócios de médio e pequeno porte, capazes de prestar serviços às indústrias instaladas no distrito e atender à demanda gerada pela atividade produtiva.

O lançamento dessa fase, inicialmente planejado para ocorrer junto com o segundo edital, foi adiado para que seja definida uma estrutura jurídica considerada adequada à parceria entre o Estado e o município. “Se colocarmos apenas as empresas grandes, podemos deixar de viabilizar negócios menores, inclusive por uma questão social. Precisamos olhar também para as empresas médias e pequenas, que podem trabalhar e prestar serviços dentro da própria região”, afirmou o presidente da Codego.

O prefeito de Aparecida de Goiânia, Leandro Vilela (MDB), confirmou que o município já celebrou um termo de cooperação com a companhia para viabilizar a terceira etapa. Pelo modelo previsto, a Codego deverá conduzir a implantação, aproveitando sua experiência na estruturação de distritos industriais. “Temos parcerias com quem busca o mesmo objetivo. A Codego vai desenvolver e entregar essa terceira etapa em conjunto com a Prefeitura de Aparecida de Goiânia, em um modelo transparente, voltado à instalação de empresas comprometidas com o desenvolvimento da cidade”, disse.

A ampliação também pretende diversificar o perfil dos negócios instalados no complexo, favorecendo a formação de uma rede de fornecedores e prestadores de serviços ao redor das empresas industriais.

Obras estão 95% concluídas

Outro fator afirmado durante o lançamento foi o estágio de execução da infraestrutura. Segundo a Codego, as obras do Dianot estão 95% concluídas, com serviços finais de pavimentação e preparação da rede elétrica para a energização definitiva.

O projeto inclui abastecimento de água, tratamento de efluentes, esgotamento sanitário, drenagem pluvial, pavimentação e iluminação pública. A estrutura foi planejada para receber empreendimentos de diferentes dimensões, incluindo empresas que precisam de espaço para circulação e manobra de veículos de grande porte.

A expectativa da companhia é concluir os serviços de infraestrutura de forma compatível com o início das obras das empresas selecionadas. Conforme a Codego, os primeiros empreendimentos contemplados na etapa anterior já estão aptos a iniciar o desenvolvimento dos projetos, que ainda precisam passar pelas aprovações necessárias para a construção.

Luiz Antônio avalia que o distrito tem potencial para se tornar um dos complexos industriais mais modernos do Estado, justamente por começar a operar com uma estrutura ampla já planejada. Diferentemente de distritos que ampliam seus serviços conforme a demanda aumenta, o Dianot foi concebido para oferecer uma base de infraestrutura desde o início da ocupação.

Acesso viário deve receber mais de R$ 20 milhões

Além das obras internas, o empreendimento conta com um projeto de melhoria do acesso viário pela região do Vale das Pombas, com ligação à GO-020 e conexão com Goiânia na região do Parque Atheneu. Leandro Vilela informou que as obras de implantação e duplicação do acesso já começaram e envolvem investimentos superiores a R$ 20 milhões. A intervenção deverá criar uma alternativa de circulação para veículos de passeio e caminhões ligados à operação das empresas, além de favorecer o desenvolvimento da região leste de Aparecida.

O prefeito afirmou que a infraestrutura viária será importante diante da perspectiva de aumento no fluxo de veículos para transporte de insumos e escoamento da produção. Segundo ele, a expansão industrial também poderá ampliar a arrecadação municipal e contribuir para o desenvolvimento econômico local.

Ele estimou que os investimentos na estrutura do distrito somam cerca de R$ 140 milhões. Ao considerar também o valor da área, o prefeito avalia que o montante agregado pode se aproximar de R$ 500 milhões.

Para a administração municipal, a regularização fundiária é outro diferencial do empreendimento, pois permite que as empresas tenham documentação para buscar financiamento e estruturar seus projetos. O prefeito classificou o Dianot como um marco para a política de desenvolvimento industrial de Aparecida e atribuiu a consolidação do projeto à atuação conjunta entre o governo estadual, a Codego e a prefeitura.

A expectativa de reunir cerca de 200 empresas e criar até 20 mil empregos diretos depende do perfil dos empreendimentos selecionados e do tamanho médio das áreas ocupadas. O próprio presidente da Codego ressalvou que o número final de empresas poderá variar conforme as necessidades de cada projeto.

Na primeira etapa, por exemplo, houve empresas que solicitaram áreas de dezenas de milhares de metros quadrados, enquanto outras precisam de terrenos menores. A companhia pretende negociar os espaços para ampliar a ocupação, desde que a redução não comprometa a operação dos negócios.

O novo credenciamento permitirá que a análise das propostas seja feita ao longo de 12 meses, com avaliação da documentação, da viabilidade dos projetos e do potencial de geração de empregos. A terceira etapa deverá complementar o processo, incorporando áreas que ainda dependem de definições jurídicas e técnicas.

Leia também

Expansão do Daia atrai 13 empresas e prevê 700 novas vagas em Anápolis; veja quais