“O que vai decidir essa eleição não é apoio partidário, é a vontade das pessoas”, afirma Guilherme Boulos sobre partidos fechados com Flávio Bolsonaro
14 outubro 2026 às 19h55

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Em agenda política em Goiânia nesta quarta-feira, 14, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, reconheceu que os resultados das urnas no último dia 4 de outubro demonstram que o eleitor brasileiro deseja mudanças, mas questionou quais transformações a população realmente espera.
“Agora, esse é o tema, o povo brasileiro sinalizou que quer mudança. Agora, que mudança? Mudança não pode ser andar para trás, mudança não pode ser perder aquilo que você já conquistou, mudança tem que ser no rumo certo e é isso que a campanha do presidente Lula (PT) está se propondo e se comprometendo nesse segundo turno”, afirmou.
Ainda segundo Boulos, uma eventual mudança de governo não deve representar uma aposta sem garantias para a população. O ministro também demonstrou confiança em um resultado favorável a Lula tanto em Goiás quanto no cenário nacional.
“Mudança não pode ser tiro no escuro, mudança não pode ser saltar no abismo para ver o que tem embaixo. Eu acho que as pessoas estão entendendo isso e eu confio no resultado positivo do segundo turno em Goiás e no Brasil.”
Boulos avaliou que a disputa presidencial está em situação de empate técnico e criticou a postura da oposição após o primeiro turno. Segundo ele, a eleição será acirrada, cenário que já era esperado pela campanha governista.
“Eu acho que tem dois pontos no empate, é um empate técnico, é isso que diz a pesquisa. Nós vamos ter uma eleição muito acirrada, a gente sempre soube disso, ninguém achou que ia ganhar de lavada. Quem botou o salto alto e achou que estava com a eleição ganha depois do resultado do primeiro turno foi o Flávio Bolsonaro”, afirmou o ministro.
Boulos destacou que a campanha governista recebeu o resultado das urnas com sobriedade e disposição para o diálogo, postura que, na avaliação dele, não foi adotada pelo adversário. O ministro também criticou declarações de Flávio Bolsonaro sobre possíveis mudanças constitucionais e a formação de uma equipe ministerial antes da conclusão da disputa.
“Vocês viram isso, o Brasil viu isso. Ele sai dizendo que ia mudar a Constituição, ele já sai montando o Ministério, isso é um desrespeito com o eleitor. A gente entende o recado da urna, o Lula ficou atrás do Flávio Bolsonaro no primeiro turno e ninguém do nosso lado disse que a urna foi fraudada, ninguém do nosso lado brigou com o resultado eleitoral, a gente entendeu que precisava reconhecer o resultado da urna, reconhecer o recado das urnas e se comprometer mais com as mudanças que o povo quer”, declarou.
PEC do fim da escala 6×1
Com a proposta de redução da jornada de trabalho em análise no Senado nesta quarta-feira, Boulos negou que o fim da escala 6×1 e a ampliação do limite de faturamento do Microempreendedor Individual (MEI) sejam medidas eleitoreiras. Segundo o ministro, se dependesse do governo federal, as propostas já teriam sido aprovadas há mais tempo.
“A PEC do fim da escala 6 por 1, que é o que a oposição está acusando de eleitoreira, o Lula defende que ela fosse votada já há um ano e meio, dois anos atrás, muito antes do calendário eleitoral. Não foi votada não por causa do Lula, não foi votada porque o presidente do Senado não quis votar”, declarou Boulos.
Durante a declaração, o ministro também citou a proposta de ampliação do limite de faturamento anual do MEI para R$ 140 mil, anunciada no início do ano pelo governo federal. Ele atribuiu a demora na tramitação das medidas à composição política do Congresso Nacional, argumentando que a maioria parlamentar teria evitado aprovar propostas que poderiam beneficiar eleitoralmente o presidente Lula.
“Não dá para você atribuir ao Lula a responsabilidade do Parlamento, que é majoritariamente de direita e que não aprovou essas medidas antes por causa de razões eleitorais para não beneficiar o Lula, tanto em relação ao MEI como em relação a 6 por 1”, afirmou.
“O que vai decidir essa eleição não é apoio partidário, é a vontade das pessoas”
Questionado sobre o apoio do governador de Goiás, Daniel Vilela (MDB), à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, Boulos atribuiu a decisão à relação de lealdade política entre o governador e seu antecessor, Ronaldo Caiado (PSD). Na avaliação do ministro, o posicionamento pode não representar necessariamente a preferência pessoal de Daniel, mas seria resultado da aliança construída entre os dois durante a gestão estadual e o processo eleitoral.
“Eu acho que ele fez isso pela lealdade que ele tinha ao Ronaldo Caiado. Acho que nem sei se é a posição dele. Ele fez isso porque ele era vice do Caiado, o Caiado apoiou a eleição dele para governador e o Caiado apoiou o Flávio Bolsonaro.”
Apesar das articulações políticas, Boulos minimizou o peso dos apoios partidários na definição do segundo turno. Segundo ele, o resultado dependerá principalmente da avaliação dos eleitores sobre a manutenção dos direitos e benefícios conquistados nos últimos anos.
“Mas veja, o que vai decidir essa eleição não é apoio partidário, não é apoio político. O que vai decidir essa eleição é a vontade das pessoas. E eu acho que está cada dia mais nítido que a vontade do povo é não perder aquilo que conquistou.”
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