Deputado Amauri Ribeiro é denunciado na polícia por cometer crime de homofobia

Parlamentar publicou nas redes sociais uma imagem que associa a bandeira LGBTQIA+ a algo demoníaco

Baseada na decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), em 2019, que equiparou as práticas homotransfóbicas ao crime de racismo, o pré-candidato a deputado estadual Fabrício Rosa (PT) denunciou na Polícia Civil (PC), por meio do Grupo Especializado no Atendimento às Vítimas de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Geacri), o deputado estadual Amauri Ribeiro (UB) por suposto crime de homofobia. O parlamentar publicou nas redes sociais uma imagem que associa a bandeira da comunidade de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais, Queers, Intersexuais, Assexuais e outros grupos e variações de sexualidade e gênero (LGBTQIA+) a uma figura demoníaca e “contra a família”. Ele garante que não é homofóbico.

Ao Jornal Opção, Rosa defende punição ao deputado pelo ato que cometeu contra a comunidade LGBTQIA+. “Por ele ser deputado e contar com milhares de seguidores nas redes sociais, precisa ter mais responsabilidade. O que vemos em nosso País é que as pessoas querem escudar na imunidade parlamentar para cometer crimes, discriminação, preconceito e incentivo ao ódio. Deve ser o contrário. Ele está utilizando recursos públicos para cometer crime. Além da área criminal, ele precisa ser responsabilizado na política. É uma figura pública que não deveria estimular a violência de forma alguma. Isso é crime”, diz.

O pré-candidato explica a importância de denunciar à polícia episódios de discriminação sexual. “Primeiro, não pode ficar calado. Além da responsabilização criminal, há também um caráter pedagógico na denúncia que fiz. Tenho certeza de que ele e outros vão repensar a conduta. É uma forma de incentivar as pessoas a denunciar os abusos que sofrem. Há muita subnotificação, porque a comunidade teme a reprodução da homofobia”, acrescenta. Fabrício complementa que o maior desafio que a comunidade enfrenta é a falta de políticas públicas voltadas à promoção da igualdade de gênero e acesso a serviços públicos.

Por outro lado

Sobre o episódio, além de explicar o teor da postagem, o deputado Amauri Ribeiro assume que publicou a imagem, mas nega que seja homofóbico. Ele disse que não foi a primeira vez que havia divulgado a ilustração. “Na minha publicação, eu não falei nada dessa viadada (sic). Lá tem uma mão do mal por cima da família. E a outra mão, como se fosse de Deus, está segurando aquela. O mal se agrega a tudo. Não tem nada a ver com homofobia. Eu não sabia que viado (sic) tem bandeira, que homem tem bandeira, que mulher tem bandeira. Cada um dá o que quer, faz o que quer. Não sou homofóbico, nem machista e também não sou racista. Tenho nojo dessas pessoas que se fazem de vítima. Se acham superiores. Não gosto de excessos”, defende.

Amauri atribui a repercussão da divulgação à época das eleições. “Já postei isso outras vezes. Ninguém fez nada. Mas agora é época de campanha e os caras querem ganhar votinhos, querem aparecer, dar um de salvador da pátria. Detesto esse tipo de gente que se faz de vítima para ganhar holofote. Se soubesse que aquelas cores que estavam lá eram bandeira de viado (sic), olha que eu teria postado do mesmo jeito porque eu também não quero que essa ideologia de gênero, essa porcaria, adentre na minha família. Volto a dizer que não sou homofóbico. Em meu gabinete têm homossexuais. Quando fui prefeito, de oito, três secretários eram homossexuais. Se eu fosse homofóbico, não colocaria nenhum homossexual para trabalhar comigo”, pontua.

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