Um dos depoentes disse aos parlamentares desconhecer a existência de cartel de empresas na definição dos contratos das obras

Funcionários da petroleira foram ouvidos em CPI | Foto: Agência Brasil
Funcionários da petroleira foram ouvidos em CPI | Foto: Agência Brasil

Em uma sessão cheia de depoentes e esvaziada de parlamentares, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras colheu o depoimento de sete funcionários da petroleira estatal na segunda-feira (7/6), que tiveram participação nas obras das refinarias Abreu e Lima (Renest), em Pernambuco, e do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). Somente cinco parlamentares participaram das oitivas.

“Hoje é segunda-feira e geralmente os parlamentares não estão aqui [na Câmara], mas todos foram convocados”, explicou o deputado Leo de Brito (PT-AC), que substituiu o relator da comissão, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ).

Os deputados ouviram os funcionários Abenildo Alves de Oliveira, Eduardo Jorge Leal de Carvalho e Albuquerque, Flávio Fernando Casa Nova da Motta, Gilberto Moura da Silva (gerente-geral da Refinaria de Capuava), Heleno Lira, Ivo Tasso Bahia Baer e Laerte Pires. Apesar da reunião esvaziada, os integrantes da comissão avaliaram os depoimentos como positivos, por apresentarem dados técnicos sobre as licitações para as obras das duas refinarias.

“A reunião serviu para tomar conhecimento de procedimentos técnicos. Ficou claro que quase todos disseram que as estimativas dos custos dos projetos não eram da responsabilidade de cada um”, avaliou o vice-presidente da CPI, deputado Antonio Imbassahy (PSDB-BA).

Eu acredito que há uma uniformidade em todas as falas dos diretores relacionas à Renest e ao Comprej, de que não houve sobrepreço nos contratos, fazem justificativas a respeito dos aditivos, complementou Leo de Brito.

Um dos depoentes, o engenheiro Abenildo Alves de Oliveira, gerente do contrato de construção de obras prediais da Refinaria Abreu e Lima, disse aos parlamentares desconhecer a existência de um cartel de empresas na definição dos contratos das obras. “Eu não tinha evidência [de cartel]. Nós todos da Petrobras lamentamos. Eu presidi sete licitações – das oito, cinco foram abaixo do valor estabelecido pela Petrobras”, disse Oliveira ao comentar sobre o resultado do contrato que coordenou na obra.

Imbassahy defendeu a votação dos requerimentos que pedem a acareação entre pessoas que já falaram à CPI, a exemplo dos ex-dirigentes da Petrobras Paulo Roberto Costa e Pedro Barusco e do doleiro Alberto Youssef, do ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, entre outros.

“São muitas acareações. Nós estamos vencendo uma fase da CPI e vamos entrar em nova fase, que significa a oitiva de personalidades que deram depoimentos e fizeram delação premiada, o que permite a gente ter informações adicionais e também a quebra de sigilo”, disse Imbassahy.

O deputado defendeu ainda a quebra dos sigilos bancários dos executivos do grupo Schain: Carlos Eduardo Schain, Milton Toufic Schain, Salin Toufic Schain, Rubens Toufic Schain e Pedro Schain. Pede a quebra de sigilo também do ex-representante da empresa holandesa SBM OffShore no Brasil Júlio Faerman. “Temos que seguir o dinheiro, e certamente vamos chegar ao final. Um esquema dessa magnitude deve ter muita gente importante por trás”, afirmou.

Para Brito, as acareações têm que ser avaliadas caso a caso, e a CPI deve priorizar os depoimentos das pessoas que já fizeram delação premiada. “Tem que ver caso a caso, nós temos depoentes, por exemplo, que optaram por ficar calados. Melhor priorizar as acareações daqueles que fizeram delação, dos que estão dispostos a falar, não adianta ter uma acareação de voz única”, apontou.