Correios anuncia plano de demissão com expectativa de adesão de 8 mil trabalhadores

Estatal tem expectativa de economizar até R$ 1 bilhão. Atualmente, contas são deficitárias e projeção para 2016 é de prejuízo de R$ 2 bilhões

O Correios anunciou, nesta quinta-feira (10/11), que vai lançar plano de demissão para tentar cortar gastos. A estimativa do presidente da estatal, Guilherme Campos, é que 8 mil trabalhadores aceitem aderir, resultado em uma economia que vai de R$ 800 milhões a R$ 1 bilhão por ano.

Embora os valores economizados possam chegar a R$ 1 bilhão, afirma ele, a economia na folha não será suficiente para equilibrar as contas. O Correios teve prejuízo de R$ 2,1 bilhões e a estimativa para este ano é de um déficit de R$ 2 bilhões na conta. De acordo com o presidente da empresa, caso não sejam feitas algumas mudanças, “o caixa vai apertar”.

Guilherme adiantou que aguarda liberação de empréstimo de R$ 750 milhões do Banco do Brasil, que deve ser aprovado pelo Ministério do Planejamento, para dar início ao chamado Plano de Demissão Incentivada (PDI). As estimativas são de que as demissões custem entre R$ 1,5 bilhões e R$ 2 bilhões aos caixas do Correios.

O foco são aqueles funcionários que têm mais de 55 anos, são aposentados ou têm tempo de serviço suficiente para solicitar a aposentadoria. Se optar por aderir, o trabalhador receberá as verbas rescisórias referentes a férias e 13º e terá como benefício indenização baseada na sua média salarial nos últimos cinco anos e no tempo de serviço, com prazo máximo de 35 anos.

De acordo com Guilherme, ainda não há previsão de concurso para substituição dos funcionários demitidos, porque, como eles ocupam cargos administrativos, muito do impacto da saída pode ser minimizado com automatização de processos e contratação de serviços de tecnologia de informação.

A atual situação dos caixas foi causada, segundo o presidente, por antecipações de dividendos de cerca de R$ 6 bilhões entre 2007 e 2013 e também pela dependência de tarifas postais. Os avanços tecnológicos, aponta ele, diminuem a demanda por serviços e atualização dos valores cobrados por eles aumenta a evasão.

Uma das estratégias do Correios agora é apostar no mercado de encomendas, no qual a participação da empresa varia de 25% a 40%. A empresa também contratou, por R$ 29 milhões, a consultoria de uma companhia chamada Accenture para se atualizar.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.