O escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), aparece em um documento localizado pela Polícia Federal (PF) que previa uma contratação de até R$ 50 milhões envolvendo a Viking Participações Ltda., empresa da qual Daniel Vorcaro é sócio. A informação consta do relatório da PF sobre as investigações envolvendo o banqueiro.

O documento é datado de 12 de maio de 2025 e aparece nas investigações após ter sido identificado em meio a conversas entre Vorcaro e Leonardo Palhares, advogado que trabalhava para o empresário.

Segundo o material encontrado pelos investigadores, a contratação tratava da prestação de serviços jurídicos e do pagamento de honorários advocatícios. Entre as atividades previstas estavam consultorias nas áreas administrativa, tributária e trabalhista, além da atuação em procedimentos civis e criminais do Ministério Público.

O documento também previa serviços de consultoria estratégica e representação jurídica em processos que tramitassem nas diferentes instâncias do Poder Judiciário.

Pelos termos encontrados pela PF, o valor poderia chegar a R$ 50 milhões líquidos, com pagamento previsto ao longo de três anos. Os recursos poderiam ser transferidos pela Viking ao escritório de Viviane ou quitados por meio de dação em pagamento, modalidade que permite o uso de outros bens para satisfazer uma obrigação financeira.

Quatro dias depois da data registrada no documento, em 16 de maio de 2025, Leonardo Palhares encaminhou propostas relacionadas à forma de pagamento, conforme mensagens analisadas pelos investigadores.

Uma das possibilidades discutidas previa a utilização de cotas relacionadas a duas aeronaves para quitar R$ 40 milhões do montante. Os R$ 10 milhões restantes seriam destinados ao reembolso de despesas decorrentes da utilização dos equipamentos.

No relatório, a Polícia Federal identificou os ativos relacionados à proposta. Um deles estaria vinculado à empresa Fraction 024 Administração de Bem Próprio S.A. (F24), proprietária de uma aeronave Legacy 650, de prefixo PP-NLR. O outro estaria relacionado à PT-PCT Administração de Bem Próprio (F53), que se encontrava em processo de aquisição de um helicóptero EC 155 B1, fabricado pela Airbus Helicopters.

O documento surge em meio às investigações sobre a relação entre Vorcaro e o escritório de Viviane. Anteriormente, já havia sido revelada a existência de um contrato envolvendo o Banco Master que poderia alcançar cerca de R$ 131 milhões em valores brutos.

Escritório nega segundo contrato

O escritório Barci de Moraes, porém, nega que tenha existido uma segunda contratação. Em nota, a banca afirmou que mantinha apenas um contrato com o Banco Master e que uma proposta apresentada pela instituição financeira para modificar a forma de pagamento não chegou a ser concretizada.

Segundo o escritório, nenhuma nova contratação foi assinada e não houve transferência ou substituição do acordo original. A banca acrescentou que o vínculo existente foi encerrado após a liquidação do Banco Master.

Dessa forma, embora o documento de R$ 50 milhões e as propostas de pagamento apareçam no material analisado pela Polícia Federal, o escritório sustenta que a negociação não foi concluída e nega ter firmado um segundo contrato.

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