Contrabando atinge recorde histórico em Goiás

Levantamento feito pelo FNCP demonstra os prejuízos causados ao País apenas em 2019 chegam a R$ 291,4 bilhões. Mais da metade dos cigarros consumidos no Brasil são ilegais

Carga de cigarros contrabandeados do Paraguai | Foto: COD

Segundo levantamento feito pelo Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP), o Brasil perdeu R$ 291,4 bilhões para o mercado ilegal em 2019. O cigarro é o produto mais afetado pelo contrabando – atualmente, 57% dos cigarros consumidos no Brasil são ilegais. Especialistas afirmam que o mercado da ilegalidade está em franco crescimento, mesmo com o PIB brasileiro paralisado. 

O valor calculado pelo FNCP é a soma das perdas registradas por 15 setores industriais (R$ 199,6 bilhões) e a estimativa dos impostos que deixaram de ser arrecadados em função dessa ilegalidade (R$ 91,8 bilhões). A média foi feita com o percentual de 46%, mas há produtos, como o cigarro, em que o imposto pode chegar a 90%. 

Outra estimativa, realizada pela Aliança Latino Americana de Contrabando (ALAC), aponta que, em média, o mercado ilegal corresponda a 2% do PIB dos países latino-americanos. No Brasil esse porcentual está, no mínimo, em 7.85%. 

Cigarros contrabandeados apreendidos pela Polícia Rodoviária Federal | Foto: Divulgação PRF

O mercado negro em Goiás

Segundo pesquisa realizada pelo Ibope Inteligência, 63% de todos os cigarros que circularam no Estado eram contrabandeados do Paraguai. O montante movimentou cerca de R$ 447 milhões em 2019. Enquanto o cigarro ilegal no Estado passou de R$ 3,15 para R$ 3,34, o preço mínimo estabelecido pelo governo para o cigarro legal no Brasil é de R$ 5,00.

O setor de combustíveis também apresenta o mesmo problema. São R$ 23 bilhões em produtos comercialisados ilegalmente. Edson Vismona, presidente do FNCP, afirma que o montante, além de perdas com fraudes, agrega também roubos e desvio de combustível nos dutos.  

Edson Vismona diz: “Essa ação atesta que a economia ilegal está crescendo, o prejuízo só aumenta e é importante alertar a sociedade e o poder público sobre a dimensão desse rombo, enfatizando a necessidade das ações coordenadas e permanentes de combate à ilegalidade, seja no mercado físico como digital, que corrói o nosso desenvolvimento e dificulta a atração de investimentos e a geração de empregos.”

O levantamento do FNCP é feito desde 2014 e tem como base os dados apontados pelos próprios setores produtivos, que têm métricas próprias (pesquisas, avaliação de mercado). Os 15 segmentos contemplados pelo estudo do FNCP são vestuário; óculos; cigarro; TV por assinatura; higiene pessoal, perfumaria e cosméticos; bebidas alcoólicas; combustíveis; audiovisual; defensivos agrícolas; celulares; perfumes importados; material esportivo; brinquedos; software; e eletroeletrônicos (PCs, Servidores, Networking, Impressoras/Toners/Cartuchos de Tinta e Equipamentos de Segurança).

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