Conselho pede suspensão da abertura de novos cursos de veterinária no Brasil

Documento enviado ao MEC destaca que País tem mais de 120 mil profissionais, maior quantidade do mundo

Alegando o número crescente de cursos e a queda na qualidade da formação profissional, o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) enviou na última segunda (27/11) um ofício ao Ministério da Educação (MEC) solicitando a suspensão da abertura de novos cursos em todo o Brasil.

A demanda é que a linha já adotada pelo governo federal em relação à medicina, por exemplo, seja estendida à área veterinária com a suspensão de autorização, criação e reconhecimento de cursos, e também do credenciamento de institutos de ensino superior. Na semana passada, o CFMV assinou, junto a outros 15 conselhos profissionais e à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), uma carta em defesa da educação superior, e questionando a abertura indiscriminada de faculdades.

Entre as justificativas para o pedido, está a alta quantidade de profissionais que são despejados no mercado de trabalho a cada ano. O contingente brasileiro de médicos veterinários é o maior do mundo, superando os Estados Unidos e toda a Europa. Em 2012, eram 90 mil profissionais; em 2015, esse número já era de 105 mil. Hoje, a categoria supera os 120 mil médicos veterinários.

De acordo com estimativa da Comissão Nacional de Educação da Medicina Veterinária (CNEMV/CFMV), 50 mil novas vagas são ofertadas todos os anos, e 20% delas permanecem ociosas. “Para que abrir mais cursos se as vagas não são preenchidas? Estamos formando médicos veterinários para o subemprego e muitos só vão descobrir que não receberam uma formação adequada quando forem processados por imperícia! Em grande medida, está ocorrendo um estelionato intelectual”, critica Antonio Felipe Wouk, presidente da CNEMV.

Goiás

 Benedito Dias de Oliveira Filho| Foto: reprodução/ UniRV

No Estado, a situação também é preocupante. Ex-presidente regional e atual presidente da Comissão de Ensino da Medicina Veterinária de Goiás, Benedito Dias de Oliveira Filho, afirmou, em entrevista ao Jornal Opção, que, apenas nos dois últimos anos, seis novos cursos foram abertos em Goiás.

Atualmente, são 11 escolas cadastradas no CRMV-GO, mas já no próximo ano o número saltará para 15. “A maioria desses cursos são criados sem nenhum estudo quanto a real necessidade, te afirmo sem medo que em nenhum dos novos foi feita uma análise de mercado de trabalho e demanda real. São situações extremamente particulares de interesse econômico, menos de necessidade real”, lamentou.

De acordo com o representante classista, a média de profissionais sendo formados no Estado chegará a 600 por ano em 2017. No entanto, ele destaca que nos últimos três anos (de 2014 a 2016), 25% dos 1,5 mil novos inscritos pediram cancelamento de registro. “O motivo é simples: não conseguiram se encaixar no mercado”, opinou.

Outro fator negativo na formação veterinária é o direcionamento para os animais de companhia, em detrimento da saúde pública ou mesmo animais de grande porte. “Há uma valorização exacerbada que acaba saturando um mercado já saturado”, arrematou.

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