Confusões não ofuscam brilho do último dia das escolas de samba em São Paulo

Mocidade Alegre, Vai-Vai, Dragões da Real, X-9 Paulistana, Acadêmicos do Tucuruvi, Unidos do Peruche e Império Casa Verde se apresentaram pelo grupo especial no Anhembi no sábado (6/2)

A escola Vai-Vai era uma das mais esperadas no segundo dia desfiles em São Paulo | Foto: Paulo Pinto/LIGASP/Fotos Públicas

A escola Vai-Vai era uma das mais esperadas no segundo dia desfiles em São Paulo | Foto: Paulo Pinto/LIGASP/Fotos Públicas

No último dia de desfiles do grupo especial no Anhembi, sete escolas se apresentaram: Mocidade Alegre, Vai-Vai, Dragões da Real, X-9 Paulistana, Acadêmicos do Tucuruvi, Unidos do Peruche e Império de Casa Verde.

As agremiações abrilhantaram o carnaval paulistano, apesar de problemas com carros alegóricos, tumulto no início do desfile de uma escola e uma mulher que se despiu e foi expulsa.

Vai-Vai

Entre as escolas mais esperadas estava a Vai-Vai, a grande campeã do ano passado e quinta a desfilar no sábado (6/2). O início do desfile da escola foi marcado por tumulto. Um integrante da escola teria se desentendido com um funcionário que trabalhava na liberação de áudio.

A Liga das Escolas de São Paulo informou que vai se reunir com os envolvidos para apurar se o membro da Vai-Vai agrediu o funcionário. Se a agressão for confirmada, a escola pode ser punida com a perda de três pontos. Uma ocorrência foi aberta e a decisão da liga sai na segunda-feira (8).

Apesar do incidente, o tema França foi levado à avenida com glamour, em alas e carros alegóricos que rementiam ao perfume, ao champagne, à Torre Eiffel e ao Moulin Rouge, entre outros temas que fazem o país famoso no mundo.

Nem mesmo o calor e a fantasia pesando 15 quilos cansou o folião Nestor Ricardo Bueno, de 78 anos. Ao final do desfile, ele contou o segredo da animação.

“É a alma, muito amor à escola. Eu desfilo pela Vai-Vai desde 1988, eu vou passar dos 80 anos. O samba é tudo para mim”. Nestor ainda viaja para o Rio de Janeiro, onde desfilará pela São Clemente. “Eu me preparo, faço regime, exercícios físicos”, contou.

Unidos do Peruche

Unidos do Peruche

Unidos do Peruche voltou ao grupo especial depois de quatro anos no grupo de acesso | Foto: Rafael Neddermeyer/LIGASP/Fotos Públicas

A Unidos do Peruche fez sua reestreia no grupo especial este ano, após quatro anos no grupo de acesso, com uma homenagem aos 100 anos do samba, resgatando as raízes negras do ritmo. Logo no início do desfile, porém, a agremiação enfrentou problemas.

Uma mulher integrante da escola despiu-se e foi retirada da avenida por seguranças. De acordo com a assessoria de imprensa da Liga, as imagens vão ser analisadas e a escola poderá ser penalizada.

Mocidade Alegre

Outra agremiação muito aplaudida foi a Mocidade Alegre, que trouxe como tema a alma do samba e a mistura com as religiões afrobrasileiras. A bateria empolgou com várias paradinhas, que levaram o público a cantar o samba-enredo.

Aline Oliveira, rainha de bateria da Mocidade, representou Oyá, a senhora dos ventos. Na dispersão do desfile, ela mostrou-se otimista. “Este ano para mim foi perfeito, eu senti uma positividade muito grande. As outras escolas também estavam maravilhosas, mas a gente está confiante, a gente vem para brigar [pelo título de campeã]”.

Na ala que retratou a Pedra do Sal, bairro onde os negros libertos faziam rodas de batuques e capoeira, estava Eunice Nunes, professora de 53 anos, que desfila há 30 anos pela Mocidade. “É

um amor incondicional. Meu marido foi quem me apresentou à Mocidade. O casamento acabou, mas o amor pela escola será eterno”, disse.

Mocidade Alegre | Foto: Paulo Pinto/LIGASP/Fotos Públicas

Mocidade Alegre foi uma das escolas muito aplaudidas | Foto: Paulo Pinto/LIGASP/Fotos Públicas

Império de Casa Verde

A Império de Casa Verde mostrou as civilizações antigas e mitos de sociedades perdidas com o enredo do Império dos Mistérios.

Império da Casa Verde | Foto: Rafael Neddermeyer/LIGASP/Fotos Públicas

Império da Casa Verde | Foto: Rafael Neddermeyer/LIGASP/Fotos Públicas

Acadêmicos do Tucuruvi

A Acadêmicos do Tucuruvi trouxe a fé e o sincretismo religioso, com as culturas indígena, africana e católica.

Acadêmicos do Tucuruvi | Foto: Paulo Pinto/LIGASP/Fotos Públicas

Acadêmicos do Tucuruvi | Foto: Paulo Pinto/LIGASP/Fotos Públicas

Dragões da Real

Com o enredo que trata do ato de dar e receber presentes, a Dragões da Real mostrou criatividade. Na Comissão de Frente, a manhã de Natal lembrou a magia que a data representa para as crianças.

Dragões da Real | Foto: Paulo Pinto/LIGASP/Fotos Públicas

Dragões da Real | Foto: Paulo Pinto/LIGASP/Fotos Públicas

X-9 Paulistana

Última a desfilar, a X-9 Paulistana tratou sobre o açaí, fruto típico da Amazônia. A escola teve problemas, pois uma integrante caiu de um carro alegórico, sem se ferir. Outro carro, na comissão de frente, também apresentou problemas e teve de ser empurrado.

O clima ficou tenso, mas a escola seguiu, com o enredo que falou da lenda indígena sobre a descoberta da planta por uma tribo afligida por tempos de escassez. A história conta como o fruto tornou-se iguaria nas mesas estrangeiras.

X-9 Paulistana | Foto: Marcelo Pereira/LIGASP/Fotos Públicas

X-9 Paulistana | Foto: Marcelo Pereira/LIGASP/Fotos Públicas

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