Condições dos universitários de Goiás é avaliado após ensino remoto emergencial por pesquisa

Sistema de ensino temporário e estratégico foi adotado por instituições federais e estadual durante pandemia da Covid-19, no Brasil. Em documento, é apresentado que as instituições precisaram adaptar as rotinas formativas, especialmente em contexto de isolamento social

Em uma pesquisa desenvolvida pelo Observatório do Estado Social Brasileiro e Observatório do Mundo do Trabalho foi estudado a relação entre a implantação do Ensino Remoto Emergencial (ERE) e a vulnerabilidade dos estudantes durante o período da pandemia da Covid-19. O relatório foi realizado a partir das experiências discentes da Universidade Federal de Goiás (UFG), do Instituto Federal de Goiás (IFG) e da Universidade Estadual de Goiás (UEG). A pesquisa envolveu 7.602 alunos e alunas que responderam 49 questões sobre a caracterização domiciliar, passando pela renda e pelas avaliações quantitativas e qualitativas das aulas síncronas e das atividades assíncronas. 

A partir do contexto de restrições devido ao alastramento do coronavírus, desde o ano de 2020, as universidades e institutos adotaram o modelo de Ensino Emergencial Remoto, sistema que estabelece estratégias didáticas e pedagógicas para diminuir os impactos das medidas de isolamento social sobre a aprendizagem. Entre dados levantados, foi visto que o 40% compartilhava o espaço em que realizava as atividades do ensino remoto emergencial, 53% receberam auxílio emergencial do governo e 67% afirmaram ter redução salarial durante o período. Entre os que trabalham, 81% tiveram que trabalhar presencialmente durante esse período; 47% conviveram com pessoas no domicílio que tiveram covid e 6% perderam familiares para a doença.

“O discente que ocupará as salas de aula e frequententará os laboratórios não será o mesmo. Às marcas da Covid-19, manifestada pelos óbitos de familiares e de amigos, soma-se o desemprego e a redução da renda que redundaram um ambiente de risco constante, afetando, com intensidades distintas, a relação ensino-aprendizagem”, diz o relatório. 

Resultados

O percentual de discentes que declararam conviver com idosos e/ou crianças que demandam cuidado foi de 43,55%. Desse total, 61,15% são mulheres, o que traduz a vulnerabilidade relacionada ao gênero. No Brasil, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD/2021), o rendimento domiciliar per capita foi de R$ 1.349,00, sendo R$1.381,00 para homens, R$ 1.318,00 para mulheres e, caso essa mulher viva em Goiás, a média reduz para R$ 1.204,00.

O rendimento reduz substancialmente quando a mulher é parda, negra e, principalmente, exerce trabalhos informais. As desigualdades de renda e gênero, portanto, foram acentuadas e atingiram os núcleos familiares dos discentes, determinando o desempenho acadêmico e escolar na modalidade remota, mostrou a pesquisa. Enquanto na sala de aula presencial o ambiente é homogêneo do ponto de vista da estrutura, o mesmo não acontece no ensino remoto. Por isso, a pesquisa avaliou várias informações sobre o contexto social dos estudantes, explica relatório.

O estudo avaliou também o motivo para os estudantes não abrirem as câmeras durante as aulas. Segundo os dados, 25,4% dos discentes declararam não abrir as câmeras por não sentirem-se confortáveis e/ou não possuírem câmeras durante as aulas. Outros 25,69% declararam raramente abrirem as câmeras. Além disso, 34% dos discentes declararam participar das aulas a partir do celular.

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