“Compur não impede assédio do setor imobiliário ao Plano Diretor”, alerta especialista

Arquiteta e urbanista Maria Ester foi indicada ao conselho, que deve discutir novas diretrizes para desenvolvimento de Goiânia

Maria Ester de Souza, durante entrevista ao Jornal Opção | Foto: Fernando Leite

A gestão do prefeito de Goiânia, Iris Rezende (MDB), reativou, enfim, o Conselho Municipal de Políticas de Urbanas, o Compur. Responsável por discutir diretrizes e elaborar diagnósticos sobre propostas para o desenvolvimento da cidade, o colegiado é composto por diversas entidades da sociedade civil organizada.

Considerado uma importante ferramenta na luta contra os interesses da especulação imobiliária, o conselho esteve desativado durante todo o ano de 2017 — quando a prefeitura desenvolveu a atualização do novo plano diretor.

Mesmo assim, como a minuta do projeto não foi encaminhada à Câmara Municipal, o Compur deve discutir as diretrizes apresentadas pela administração municipal para os próximos dez anos.

Indicada pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Goiás (CAU-GO), a professora Maria Ester de Souza elogiou, durante entrevista ao Jornal Opção nesta terça-feira (16/1), o trabalho desenvolvido pelos técnicos da Secretaria Municipal de Planejamento Urbano e Habitação (Seplanh), mas lamentou a ausência do Compur no processo.

“O grupo que trabalhou no Plano Diretor fez excelentes levantamentos, produção de informação e diagnóstico com diretrizes para elaboração do projeto. O que realmente faltou foi a presença dos diversos segmentos da sociedade civil”, explicou.

Segundo a especialista, as audiências públicas realizadas no final do ano passado ficaram restritas a técnicos, embora com discussões qualificadas, faltou a presença da população em si.

“O prejuízo se dá porque o Compur não pôde contribuir com informações extras, da sociedade, que chegam somente por meio daquele colegiado. Os diagnósticos do grupo de trabalho deveriam ter sido discutido nas reuniões do Compur. Lá há mais de 30 entidades, com representantes de associações que estão longe do metiê técnico”, acrescentou.

Garras da especulação

Questionada se, com a reativação do conselho, seria possível diminuir os assédios do setor imobiliário e grupos econômicos ao projeto de desenvolvimento da capital, Maria Ester é categórica: “Não muda absolutamente nada.”

Isso porque, para ela, o problema está no sistema político em si: “O que melhora é um pouco mais de visibilidade ao plano [diretor], mas não conseguimos evitar a interferência do setor imobiliário, pois é ele que financia campanhas. Não tem como afastar ou garantir que os interesses da cidade, e não dos poderosos, seja maior.”

Apesar de pronta, a minuta do novo Plano Diretor de Goiânia ainda não foi enviada à Câmara Municipal de Goiânia — o que deve ocorrer na primeira semana de fevereiro, quando da volta do recesso legislativo. O projeto deve ser discutido e aprovado em duas votações para, então, sancionado pelo prefeito Iris Rezende.

 

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