Com aporte do Fundo de Arte e Cultura, 37ª Folia do Divino Espírito Santo percorre Goiás entre 11 e 18 de julho
23 junho 2026 às 11h54

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Pela primeira vez em quase quatro décadas de existência, a Folia do Divino Espírito Santo chega às estradas rurais de Alexânia e Olhos d’Água com o respaldo do Fundo de Arte e Cultura de Goiás (FAC). A contemplação impulsiona a 37ª edição da romaria, intitulada “Nos Caminhos da Fé”, que acontece entre os dias 11 e 18 de julho e coloca novamente dezenas de foliões para cumprir promessas, partilhar refeições e manter acesa uma das tradições mais enraizadas da cultura goiana.
Ao longo de oito dias, cada pouso se transforma em ponto de encontro e celebração coletiva, enquanto a bandeira do Divino avança por fazendas, chácaras e praças. A romaria nasce de uma promessa pessoal, mas já mobiliza gerações: à frente do cortejo seguem os alferes Lili Pereira Lima, Reinaldo Pereira Rosa e Arnaldo Pereira Rosa, pai e filhos que há quase quatro décadas organizam o roteiro e coordenam toda a estrutura da jornada.
A história da folia remonta a 1982, e, conforme relata o próprio Seu Lili, a tradição teve início num momento de profunda dor, quando ele enfrentava uma depressão que o fazia sentir-se sem saída. “Ouviu uma voz em sua mente que o orientou a tirar uma folia como forma de cura”, contam os que conhecem a origem do giro. Ele seguiu o chamado e, após cumprir a promessa, sentiu-se melhor.
Desde então, anualmente, o grupo sai em procissão pela região. Os filhos, que na época tinham 2 e 6 anos, cresceram sobre a sela: aprenderam a montar, a girar folia, acampar, dormir no sereno, tomar banho nos rios e honrar os compromissos da fé. Hoje, Arnaldo e Reinaldo também respondem como alferes.
Roteiro de pousos – 37ª Folia do Divino Espírito Santo 2026
11/07 (1º pouso): Gilvon – Nova Flórida
12/07 (2º pouso): Vera Lúcia – Estiva
13/07 (3º pouso): Rosalvo – Fazenda Barreiro
14/07 (4º pouso): Dona Aparecida – Fazenda do Roleta/Capitinga
15/07 (5º pouso): Geraldo Zulu – Chácara Cachoeira
16/07 (6º pouso): Dona Das Dores – Olhos d’Água
17/07 (7º pouso): ACORDE – Praça de Olhos d’Água
18/07 (8º pouso – encerramento): Toyota – Campo de Aviação
Durante a folia, a Associação Comunitária de Olhos d’Água (ACORDE) também abre espaço para oficinas de catira destinadas a crianças, jovens e interessados.
Em entrevista ao Jornal Opção, um dos organizadores do evento, Emerval Crespi Junior, detalhou o espírito de mutirão que sustenta a folia e o esforço da ACORDE para preservar os saberes locais: “É uma luta muito grande aqui em Olhos d’Água, porque o que a gente viu ultimamente é a chegada de muita gente, de uma certa forma, acabou desfigurando um pouco o vilarejo. A ACORDE é a entidade mantenedora do Memorial Olhos d’Água e nele queremos preservar a história desse vilarejo.”
Ele reforça que a folia se ancora mais na fé do que propriamente na religião e que os pousos funcionam como engrenagens de solidariedade. “É sempre um mutirão. Todo mundo colabora, inclusive com o trabalho. As cozinheiras cozinham em grandes tachos para muita gente, os serventes servem, tudo isso envolvido pela fé”, afirma.
Além da romaria, a edição de 2026 ganha um registro especial: durante o giro será gravado um minidocumentário. O material, viabilizado com recursos captados pelo Fundo de Arte e Cultura de Goiás (FAC), tem exibição prevista para agosto e setembro no auditório da prefeitura de Alexânia, no memorial da associação e em áreas rurais a serem divulgadas.
A expectativa é que o filme também alcance plataformas digitais, contribuindo para que a memória da folia ultrapasse as porteiras das fazendas.
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