Com 32 anos de tombamento, Pirenópolis quer ser patrimônio da humanidade

Hoje, o centro histórico da Cidade de Goiás é o único no Estado que possui o título internacional da Unesco. Desde 2001, a antiga capital goiana está entre os 15 patrimônios culturais listados pela organização no Brasil

Fundada em 1727, a cidade de Pirenópolis está se preparando para realizar o pedido de título de Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade. O reconhecimento internacional é dado pela Organizações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco). E, nesta segunda-feira, 10, o município completou 32 anos de tombamento concedido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O conjunto está inscrito no Livro do Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico. 

Atualmente, o centro histórico da Cidade de Goiás é o único no estado de Goiás que possui o título internacional da Unesco, desde 2001, dentre os 15 patrimônios culturais listados pela organização no Brasil. A cidade de Pirenópolis, carinhosamente apelidada de “Piri”, une as duas vertentes formadoras de uma cultura vigorosa: o bem patrimonial conservado, o fazer e pensar cotidiano de seus moradores, pautado ainda em tradições seculares. Além disso, Pirenópolis manteve-se como testemunho vivo dos primeiros tempos da ocupação do território goiano. 

O superintendente do Iphan-GO, Allyson Cabral, ressalta que preservar e revitalizar os edifícios e as áreas são ações que se complementam e, juntas, valorizam os conjuntos de bens que se encontram ameaçados ou deteriorados interferindo na qualidade de vida da população. “O patrimônio cultural constitui uma herança histórica, deixada pelas gerações anteriores, que cabe a todos preservar para que seja transmitida às gerações vindouras. O tombamento não tem o objetivo de engessar a cidade”, pontua.

História

Dentre as construções históricas tombadas no conjunto, destacam-se a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário, primeiro bem tombado pelo Iphan na cidade, em 1941; a Fazenda Babilônia, na zona rural, tombada em 1965; a Igreja de Nossa Senhora do Carmo, que abriga o museu de Artes Sacras; a Igreja do Nosso Senhor do Bonfim; o Cine Teatro Pireneus; a Casa de Câmara e Cadeia; o Salão Paroquial; a Casa Paroquial; a Ponte Sobre o Rio das Almas; a Ponte Pênsil Dona Benta e o Theatro Sebastião Pompeu de Pina, construído em 1889. 

Nos últimos anos, Pirenópolis foi palco de um intenso processo de restauração de seu patrimônio cultural. Intervenções restaurativas e emergenciais foram realizadas em edifícios públicos como na Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário, Cine Pireneus, Igreja do Bomfim, Casa de Câmara e Cadeia, Ponte Dona Benta e outros.

Outra ação em benefício do patrimônio cultural foi a contratação de um projeto executivo de requalificação urbana do Largo da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário, importante espaço urbano no centro histórico. O Largo da Matriz já foi palco tradicional das cavalhadas, durante as festas do Divino Espírito Santo de Pirenópolis, manifestação cultural registrada pelo Iphan em 2010, além de ser um espaço de convivência e de muitos outros eventos e atividades. Com a conclusão do projeto executivo, o Iphan vai entregar e apresentar os dados, pranchas, a maquete física e eletrônica para a Prefeitura Municipal para a execução da ação.

O conjunto tombado foi constituído no ciclo do ouro no Brasil, no século XVIII, e marcado pela escassez de recursos naturais e pela brevidade da exploração econômica, que teve como consequência a produção de uma arquitetura simples e despojada de ornamentações. A ruralização foi determinante para a formação da identidade cultural e para a preservação do patrimônio edificado.

Além do cenário arquitetônico, Pirenópolis se destaca por diversas manifestações culturais que envolvem toda a população local e atrai milhares de turistas o ano todo. A Festa do Divino Espírito Santo de Pirenópolis é um exemplo. Realizada anualmente desde 1819, a festa é considerada uma das mais expressivas celebrações do Espírito Santo no país, especialmente pelo grande número de seus rituais, personagens e componentes, como as cavalhadas de mouros e cristãos e os mascarados montados a cavalo.

A manifestação ainda incorpora diversos elementos da cultura popular rural: a devoção ao Divino Espírito Santo, somada às Folias do Divino, a Catira, as Alvoradas e aos almoços de Fazenda.  A Festa do Divino permanece como a maior manifestação cultural local e a principal fonte para a formação da identidade e religiosidade pirenopolina.

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