O sábado teve cara de reencontro emo. A Emo Night reuniu Burning Rage, Radiola 78, Sótão e Hateen em uma noite que costurou clássicos do emo e do pop-punk dos anos 1990 e 2000 na discotecagem, com o repertório autoral de bandas goianas no palco. Em vez de viver apenas da lembrança, o evento mostrou uma cena que volta a produzir, circular e formar público em Goiânia.

Público no Emo Nigth | Foto:

Para boa parte do público, essa memória começa cedo, desde o tempo em que o emo e o pop-punk escapavam das rádios e apareciam em desenhos, trilhas de filmes adolescentes, MTV, fotologs, Orkut e cadernos rabiscados na escola.

Scooby-Doo amplificou o emo e pop-punk nos anos 2000

Não à toa, o universo de Scooby-Doo virou uma das muitas portas de entrada para aquela geração: a franquia animada que circulou no Brasil a partir dos anos 2000 ajudou a colar, no imaginário de quem cresceu naquele período, a mistura de melodia acelerada, angústia adolescente e senso de pertencimento que marcaria o emo e seus arredores.

No palco, a banda goiana Sótão apresentou cinco das dez faixas do novo álbum previsto para maio, e transformou o show em uma espécie de prévia do próximo lançamento. Burning Rage e Radiola 78 também apostaram em material próprio, dando unidade à programação e afastando a ideia de um evento montado só em cima da nostalgia. Havia lembrança, claro, mas havia sobretudo presente.

O encerramento com a Hateen deu a dimensão mais nítida desse encontro entre gerações. Referência histórica do emo nacional, a banda fechou a noite com a resposta mais forte do público.

Para completar a festa, o DJ Tiusam coordenou os decks externos com sucessos do emo brasileiro e do pop punk mundial e, após os shows, DJ Messy Nina para sua tradicional discotecagem de sucessos do emo e do rock mundial

Circuito Rock

A noite também ajudou a marcar um novo momento do próprio De Leon Music. Ao entrar no Circuito Rock, a casa passou a ganhar mais peso dentro da circulação cultural da capital e se firmou como um dos poucos espaços com identidade para receber o underground goiano. Em uma cidade em que muitas vezes faltam continuidade e palco fixo para a música alternativa, casas assim têm um papel que vai além da agenda: é onde bandas testam repertório, público se forma e a cena encontra permanência.

O Emo Nigth deste sábado não integra o calendário do Circuito Rock, que inclui shows gratuitos e programação até 30 de abril.

Um dos produtores da Emo Night, o fotógrafo e agitador cultural, Guilherme Toscano – conhecido como Guito – lê esse movimento como parte de uma ascensão mais ampla. Depois de ter vivido a fase da chamada “Goiânia Rock City”, ele avalia que a capital volta a experimentar um ciclo fértil, com a retomada de grandes festivais, o reaparecimento de shows menores e a renovação de bandas e plateia.

Na avaliação dele, a retomada de festivais maiores e a volta de shows menores ajudam a reativar esse ciclo de renovação. “Quando tem muito evento e muitas bandas novas, as bandas melhoram, as bandas acabam, formam novas bandas. Isso faz a cena andar muito”, diz. Para Guito, a Emo Night nasce exatamente nesse contexto mais fértil, mas também responde a uma necessidade geracional específica.

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