Centro de Goiânia ganha fôlego com mobilização, mas retomada de empresas será lenta, diz CDL
06 maio 2026 às 20h05

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A revitalização do Centro de Goiânia começa a apresentar sinais concretos de interesse por parte de comerciantes e empresários, embora o movimento ainda seja considerado inicial e dependente de fatores estruturais.
A avaliação é do vice-presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Goiânia, Florêncio Henrique Rezende, em entrevista ao Jornal Opção. Segundo ele, já há uma mobilização em curso, impulsionada principalmente pelo discurso e pelas ações recentes da gestão municipal.
“Eu diria que existe [movimento] e que nós temos um garoto-propaganda fantástico, que é o Sandro Mabel”, afirmou. Florêncio relata que eventos recentes voltados ao setor imobiliário e urbanístico têm contribuído para aumentar a confiança dos empresários.
“Hoje, em um evento da Ademi, tivemos apresentações relevantes. O prefeito fez uma declaração literal: ‘Quero que o meu governo seja marcado como o prefeito que revitalizou o Centro’. Isso gera em nós uma grande esperança”, disse.
Apesar do otimismo, o dirigente reconhece que o Centro ainda enfrenta problemas históricos, como insegurança, falta de infraestrutura e escassez de serviços. “Eu, como lojista e praticamente morador do Centro, vivencio diariamente a realidade da região. Mas, finalmente, há uma esperança”, pontuou.
Entre as medidas que começam a alterar a percepção sobre a região, Florêncio destaca a reorganização do espaço urbano e a redução da população em situação de rua. “A população em situação de rua reduziu significativamente. Era de 5.200; hoje está em cerca de 600. Eu circulo à noite e percebo”, afirmou.
Ele também cita a retirada de ambulantes das calçadas como uma ação decisiva, ainda que polêmica. “A liberação das calçadas para o pedestre foi um marco de coragem. Houve reações contrárias, interesses contrariados, mas o prefeito se manteve”, disse.
Outro fator apontado como indutor de mudança é o projeto habitacional voltado ao Centro, com foco no repovoamento da região. “Existe uma iniciativa relevante, que é o ‘Morar no Centro’, com aluguel subsidiado por três anos. Isso já revitalizou outras capitais”, explicou.
De acordo com Florêncio, Goiânia tem hoje cerca de 9 mil moradores na região central, mas o potencial pode chegar a 24 mil habitantes com a adaptação de imóveis comerciais para uso residencial. “O Centro tem um dos metros quadrados mais baratos da cidade, mas, do ano passado para cá, já subiu cerca de 15%, justamente por esse movimento”, destacou.
Na avaliação do vice-presidente da CDL, o interesse empresarial tende a crescer à medida que essas iniciativas avancem e se consolidem. Ainda assim, ele ressalta que o processo será devagar. “Esse movimento está bastante intenso nesta semana, com discussões, eventos e participação do poder público. Isso faz com que a gente volte a ter esperança com o Centro”, afirmou.
Florêncio, que além de dirigente da CDL é empresário com atuação na região central, afirma acompanhar de perto as transformações. “Eu convivo e vivo o Centro diariamente. Tenho empresa ali, circulo à noite e vejo as mudanças acontecendo”, disse.
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