CEI dos fios soltos identifica empresas irregulares e prevê punições em Goiânia
21 maio 2026 às 16h04

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A Comissão Especial de Inquérito (CEI) dos Fios Soltos, instalada na Câmara Municipal de Goiânia, entrou na fase final dos trabalhos e deve concluir o relatório nas próximas semanas. Segundo integrantes do colegiado, as últimas oitivas, visitas técnicas e reuniões com a Polícia Civil de Goiás (PCGO) e o Ministério Público de Goiás (MPGO) devem embasar os encaminhamentos finais da investigação.
O relator da comissão, vereador Geverson Abel (Republicanos), afirmou que a CEI identificou “várias irregularidades” envolvendo empresas responsáveis pela utilização da rede de postes na capital. Segundo ele, a principal preocupação é a ausência de ações preventivas para evitar acidentes causados por cabos soltos.
“Não existe, por parte das empresas, um trabalho de precaução, um trabalho de combate à antecipação do acidente. As empresas trabalham simplesmente com a ocorrência que acontece no momento”, afirmou. De acordo com o parlamentar, a comissão constatou que não há equipes fixas encarregadas de percorrer a cidade para identificar e retirar fios irregulares antes que acidentes aconteçam.
“Não existe uma equipe fixa para andar a cidade olhando esses fios soltos, identificando de qualquer empresa, para que eles sejam retirados, para que não aconteça o que aconteceu com a Nathaly, para que não aconteça o que aconteceu com os motoqueiros”, disse.
A comissão apura responsabilidades de empresas de telecomunicações e distribuição de energia em relação a acidentes registrados em Goiânia. Um dos casos analisados envolve a morte de Nathaly Rodrigues do Nascimento, vítima de descarga elétrica.
Familiares afirmaram à CEI que não receberam assistência psicológica, financeira ou auxílio para o sepultamento, versão diferente da apresentada pela Equatorial. Segundo Geverson Abel, a investigação também identificou empresas atuando de forma irregular na utilização dos postes públicos.
“As empresas vêm para Goiânia, muitas delas inclusive são irregulares, exploram financeiramente e não têm compromisso tanto com a área comercial, que são os seus clientes, quanto com a população como um todo”, afirmou. O vereador disse ainda que pretende buscar apoio institucional para fortalecer os encaminhamentos da comissão. Segundo ele, reuniões com a Polícia Civil e o Ministério Público estão previstas para a próxima semana.
“Vamos finalizar o relatório indiciando com rigor da lei aquilo que precisa ser indiciado, autuando aquilo que precisa ser autuado”, declarou. Além dos possíveis indiciamentos, a comissão pretende apresentar um projeto de lei para regulamentar o uso da infraestrutura de postes na capital.
A proposta, segundo o parlamentar, deve estabelecer regras para empresas de telecomunicações e prever mecanismos de punição em casos de descumprimento. “A gente vai criar mecanismos de punição para que essas empresas, de fato, façam o que tem que ser feito”, disse.
A CEI também discute o cumprimento da legislação que prevê a implantação gradual de fiação subterrânea em Goiânia. Para Geverson Abel, apesar da complexidade do processo, as empresas ainda não avançaram na execução da medida. “Existe uma lei hoje que prevê adaptação subterrânea, e por parte das empresas não foi cumprido nem 0,1% ainda”, afirmou.
Presidente da comissão, o vereador Coronel Urzeda (PL) afirmou que as oitivas realizadas até o momento ajudaram a esclarecer diversos pontos relacionados à atuação das empresas. “As oitivas têm esclarecido muitos tópicos. E outras oitivas ainda serão realizadas. Por isso solicitamos e foi aprovada a prorrogação do prazo de conclusão da CEI”, declarou.
Segundo Urzeda, a investigação revelou divergências entre os depoimentos prestados pela Equatorial e o relato da família de Nathaly. “A Equatorial alegou que deu toda assistência para a família da Nathaly Rodrigues do Nascimento. E a mãe esteve aqui e disse que não teve auxílio psicológico, nem auxílio financeiro, nem auxílio para o caixão”, afirmou.
O parlamentar também citou acidentes recentes envolvendo motociclistas que podem ter relação com cabos soltos nas vias públicas. “A própria imprensa trouxe um possível acidente com motociclista que pode ter sido causado também por cabo solto. Nós temos que entender como melhorar isso na cidade”, disse.
Coronel Urzeda afirmou ainda que a CEI identificou a existência de fios obsoletos e empresas clandestinas utilizando a estrutura de postes em Goiânia. “Tem um monte de cabos soltos que ninguém toma conta. Fios obsoletos que ficam nos postes e muitas empresas clandestinas”, afirmou.
O vereador também mencionou que a comissão apurou que a Equatorial possui prerrogativa para remover cabos instalados irregularmente, embora, segundo ele, a concessionária alegue receio de interromper serviços. “Nós descobrimos que a Equatorial pode retirar os fios. Ela tem essa incumbência, mas não retira para de repente não cortar um serviço”, declarou.
Além das questões relacionadas à segurança, o parlamentar destacou o impacto visual provocado pelo excesso de fios aéreos em Goiânia. “Além do perigo, também existe essa questão da poluição visual que esses fios provocam em Goiânia”, disse.
Sobre os encaminhamentos finais da CEI, Coronel Urzeda afirmou que o relatório pode resultar em notificações a órgãos de controle e possíveis indiciamentos. “Imagino que vão ter muitos encaminhamentos ao Ministério Público, ao Tribunal de Contas e principalmente indiciamentos de pessoas em relação a esses fios soltos”, afirmou.
Segundo ele, a expectativa é de que o relatório final seja apresentado até o fim do próximo mês. “Imagino que até o final do próximo mês a gente encerre com a apresentação do relatório”, declarou. O Jornal Opção entrou em contato com a Equatorial Goiás, que afirmou que vem realizando ações de fiscalização e notificando empresas de telecomunicações responsáveis por serviços de internet, fibra óptica, TV a cabo e telefonia fixa para que regularizem instalações consideradas irregulares
Em relação ao caso de Nathaly Rodrigues do Nascimento, a Equatorial afirmou que, à época do acidente, “tomou todas as providências dentro de suas atribuições e colaborou integralmente com as autoridades responsáveis pela apuração do caso”.
Nota na íntegra:
“A Equatorial Goiás informa que vem cumprindo seu papel de fiscalização e notificação para que as empresas de telecomunicações, responsáveis por serviços de internet, fibra óptica, TV a cabo e telefonia fixa adotem as providências necessárias quanto aos fios soltos e reforça que a responsabilidade pela regularização das instalações e pelo cumprimento das normas técnicas aplicáveis é exclusiva dessas empresas.
Desde o início da concessão, há três anos, a distribuidora já realizou aproximadamente 404 mil fiscalizações em postes, que resultaram na identificação de cerca de 1,9 milhão de irregularidades. Ao todo, 692 empresas de telecomunicações em todo o estado já foram formalmente notificadas pela companhia, um resultado que evidencia o compromisso permanente da Equatorial Goiás com a segurança da população e o cumprimento de suas responsabilidades regulatórias.
A concessionária reforça que as diretrizes gerais para garantir o adequado compartilhamento da infraestrutura são estabelecidos em Resolução Conjunta da ANEEL e ANATEL e que cabe às empresas operadoras do serviço de telecomunicação o papel geral de protagonistas nas ações que envolvem seus próprios cabos no que diz respeito ao uso compartilhado dos postes.
A Equatorial Goiás destaca também que, do valor arrecadado pelo compartilhamento dos postes, 40% fica para tributos e 60% é destinado para amortização tarifária, reduzindo a tarifa dos consumidores, conforme modelo aplicado em todo território nacional.
Sobre o caso da jovem citada pelo veículo, a Equatorial Goiás reforça que, à época do acidente, tomou todas as providências dentro de suas atribuições e colaborou integralmente com as autoridades responsáveis pela apuração do caso.”
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