Padre Robson, suspeito de liderar grupo criminoso que desviava dinheiro de doações de fiéis, teve pedido de prisão negado por juíza

Em decisão da juíza Placidina Pires, da Vara dos Feitos Relativos a Organizações Criminosas e Lavagem de Capitais do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO), a que o Jornal Opção teve acesso, em que elenca-se alguns dos fatos investigados pelo Ministério Público, entre os imóveis obtidos com o desvio de R$60 milhões doados por fiéis às Associações Filhos do Pai Eterno (Afipe) por organização criminosa supostamente liderada por Padre Robson, está uma casa na Praia de Guarajuba, na Bahia, e uma fazenda em Abadiânia, ambas de valores milionários, dentre dezenas de outros imóveis.

A juíza, no entanto, negou o pedido de prisão do líder religioso, investigado pela Operação Vendilhões por se apropriar indevidamente de valores milionários doados por fiéis às Afipes. Foram 16 mandados de busca e apreensão cumpridos pela operação, que determinou o bloqueio dos R$60 milhões. Nos últimos três anos, de acordo com o documento, a Afipe movimentou R$120 milhões.

A casa na Bahia, comprada em 2014 e avaliada em R$2 milhões, teria sido paga à vista por uma empresa que orbita em torno da Afipe, a Sistema Alpha de Comunicação, que também está sob investigação da Justiça. Já a Fazenda Serenata e Monjolinho, localizada na zona rural de Abadiânia, foi adquirida pela Afipe por R$6,3 milhões em 2016.

O documento também especifica a compra de um imóvel adquirido por R$1,3 milhões pela Afipe em 2013, além de uma área transferida da Afipe para outra empresa, no valor de R$485 mil, que havia sido transferida pelo Estado de Goiás à entidade em 2010.

As investigações da operação Vendilhões foram iniciadas após um grupo extorquir Padre Robson, ameaçando de divulgar informações pessoais em troca de R$2,9 milhões. De acordo com apuração, o líder religioso chegou a efetuar o pagamento de R$1,2 milhões aos extorsionários.