A cardiomiopatia hipertrófica voltou ao centro das atenções após a confirmação de que a doença causou a morte do fisiculturista e influenciador Gabriel Ganley, de 22 anos. Considerada uma das doenças cardíacas genéticas mais comuns, a condição afeta aproximadamente uma em cada 500 pessoas e está entre as principais causas de morte súbita em jovens e atletas.

Segundo o cardiologista Giuliano Ciambelli, a doença é caracterizada pelo crescimento excessivo e desorganizado da musculatura do coração. “É uma doença geneticamente determinada, onde ocorre uma proliferação desordenada de algum ou mais segmentos cardíacos. A forma mais comum é a cardiomiopatia hipertrófica septal assimétrica”, explicou ao Jornal Opção.

De acordo com o especialista, a condição merece atenção porque pode permanecer sem diagnóstico por anos e, em alguns casos, se manifestar de forma grave. “Ela é uma importante causa de morte súbita, principalmente em jovens menores de 35 anos”, afirma.

A cardiomiopatia hipertrófica é causada por alterações genéticas hereditárias que afetam as células musculares do coração. Embora fatores como hipertensão arterial e uso de anabolizantes não provoquem a doença, eles podem agravar o quadro em pessoas predispostas. “O paciente já possui essa condição geneticamente. Algumas doenças ou situações podem exacerbar essa hipertrofia, mas a origem é genética”, destaca Ciambelli.

Giuliano Ciambelli é cardiologista | Foto: Reprodução

O diagnóstico costuma ser feito por meio do ecocardiograma, exame que permite visualizar o espessamento da musculatura cardíaca. Em alguns casos, exames genéticos também podem ser solicitados para identificar as mutações responsáveis pela doença.

Os sintomas variam conforme a gravidade do quadro. Entre os sinais mais comuns estão falta de ar, palpitações, dor no peito e episódios de desmaio. “É uma doença que costuma causar falta de ar, pode causar palpitações e, em situações mais graves, até desmaios”, explica o cardiologista.

Por isso, pessoas com histórico familiar de morte súbita devem buscar avaliação médica, mesmo que não apresentem sintomas. “Aqueles que possuem parentes de primeiro grau que morreram subitamente, principalmente antes dos 35 anos, precisam ser avaliados por um cardiologista”, alerta.

Embora não tenha cura, a cardiomiopatia hipertrófica possui tratamento capaz de controlar os sintomas e reduzir os riscos associados à doença. O acompanhamento inclui medicamentos específicos e, em casos mais graves, pode haver indicação cirúrgica.

“O principal tratamento é medicamentoso. Hoje existem remédios que ajudam a controlar a proliferação das células musculares cardíacas e reduzir os sintomas”, afirma Ciambelli.

A prática esportiva depende da avaliação individual de cada paciente. Segundo o médico, atividades físicas recreativas costumam ser liberadas após análise clínica, mas esportes de alto rendimento geralmente são contraindicados.

“Precisamos avaliar o risco de morte súbita de cada paciente. Na maioria das vezes, esportes competitivos de alto rendimento não são recomendados, mas atividades físicas mais leves podem ser realizadas com segurança”, explica.

O especialista reforça que o diagnóstico precoce é a principal ferramenta para evitar complicações. “Quando identificada cedo, a doença pode ser acompanhada e tratada adequadamente, reduzindo significativamente os riscos para o paciente”, conclui.

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