Candidatos fogem ao debate e se restringem à apresentação de propostas

Temas mais tratados pelos postulantes foram transporte coletivo, economia e saúde. Segurança pública só foi discutida pelos dois delegados

Candidatos Adriana Accorsi (PT), Delegado Waldir (PR), Vanderlan Cardoso (PSB), Flávio Sofiati (PSOL), Djalma Araújo (Rede) e Francisco Jr. (PSD)

Candidatos Adriana Accorsi (PT), Delegado Waldir (PR), Vanderlan Cardoso (PSB), Flávio Sofiati (PSOL), Djalma Araújo (Rede) e Francisco Jr. (PSD)

Alexandre Parrode e Amanda Damasceno

O primeiro embate entre os candidatos a prefeito de Goiânia na televisão foi marcado pela falta de embate. Mesmo sem a presença do líder nas pesquisas, Iris Rezende (PMDB), o debate promovido pela TV Goiânia (Band) se resumiu à apresentação de propostas e uma “conversa” com o eleitor.

Talvez pela disposição dos candidatos, que estavam sentados em uma mesa, houve pouco questionamento entre eles — ao ponto de Djalma Araújo (Rede) dizer que estava “muito morno” e Flávio Sofiati, do PSOL, classificar o encontro como “conversa de compadres”.

Os primeiros e segundo blocos foram destinados a perguntas entre candidatos. Começou bem, quando Vanderlan Cardoso (PSB) pediu para que Djalma explicasse um pouco mais do que foi a CEI das Pastinhas — escândalo coberto quase que exclusivamente pelo Jornal Opção no último ano.

Em vez de destacar que o esquema, que constatou irregularidades na aprovação e fiscalização de empreendimentos pela Secretaria de Planejamento, teve início na gestão do ex-prefeito e candidato do PMDB em 2016, Iris Rezende, o vereador preferiu atacar a atual gestão. “Infelizmente a Câmara Municipal isentou servidores envolvidos, mas o Ministério Público ofereceu ação contra todos”, lembrou.

Vanderlan garantiu que em sua gestão esse tipo de negociata não existirá e que, ao longo de sua vida pública, sempre apoiou investigações: “Nosso País está mudando, temos que fortalecer a instituição e combater a corrupção.”

Na defesa de uma saúde 100% pública, Flávio Sofiati questionou Francisco Jr. (PSD) sobre a implantação das Organizações Sociais na rede municipal. Com tranquilidade, o deputado estadual destacou os altos índices de aprovação dos hospitais estaduais, que têm gestão compartilhada, e disse que não terá medo de ousar: “Temos boas ferramentas de gestão, PPPs, entidades filantrópicas… É preciso usar tudo que existe de melhor. O importante é a população ser bem atendida”.

De fato, o pessedista foi o único que defendeu o modelo adotado pelo governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). “Quem é contra é porque nunca visitou os hospitais antes e depois. Eu fiz isso, por isso sou favorável, porque realmente melhorou a saúde estadual”, alertou.

Ainda no âmbito da saúde, Adriana Accorsi, Flávio Sofiati, Djalma Araújo e Delegado Waldir (PR) defenderam o fortalecimento do SUS, investimento em atenção básica e mais concursos para médicos. A petista se destaca com proposta de criação de um hospital pediátrico, com leitos de UTI. Discretamente, ela também defendeu as conquistas da gestão do atual prefeito, Paulo Garcia (PT), como a maternidade que está sendo construída na região Oeste e as mais de 30 unidades de saúde entregues.

Transporte coletivo

Um dos pontos mais tratados no primeiro debate na TV foi o transporte público. Djalma Araújo lembrou que Iris Rezende prometeu resolver o problema em seis meses, mas já se passaram dez anos e “tudo continua a mesma coisa”. Vanderlan foi quem respondeu: para ele, o problema reside no fato de que os contratos não são cumpridos.

“Não jogo minha responsabilidade para os outros. Aliás, quem nomeia o presidente da CMTC [Companhia Metropolitana de Transporte Coletivo] é o prefeito, então não pode fugir. Quero ampliar parcerias com o governo do Estado, para construção de trincheiras, viadutos. Nos primeiros meses da minha gestão, vou despachar diretamente da CMTC, contratarei os melhores técnicos. Vamos solucionar o problema com boa governança”, garantiu.

O candidato da Rede Sustentabilidade disse que pretende romper os contratos, que, segundo ele, são comandados pelo mesmo grupo há mais de 60 anos.

Francisco Jr. também participou do debate e defendeu que é preciso unir a gestão do trânsito com a do transporte coletivo. Para o deputado do PSD, a mobilidade precisa ser pensada de forma integrada e, do mesmo jeito, os investimentos. “Temos que buscar novas fontes de receita, propaganda nos pontos de ônibus, estacionamentos, explorar o subterrâneo e o espaço aéreo. São ações que vão melhorar a trafegabilidade, a qualidade dos ônibus e até baixar os preços das passagens”, completou.

Desenvolvimento

O crescimento desordenado de Goiânia e as expansões urbanas promovidas por gestões passadas voltaram à pauta quando Francisco Jr. questionou Delegado Waldir sobre como fazer para ocupar os vazios urbanos. “Queremos estabelecer imposto progressivo para que essas áreas tenham tributação devida e, se necessário, a prefeitura faça a desapropriação das áreas. Precisamos combater a máfia imobiliária de Goiânia”, argumentou o republicano.

Conhecedor do Plano Diretor de 2007 — participou da formulação quando era vereador –, Francisco Jr. lamentou que todas as respostas estão no próprio plano. Contudo, por falta de vontade dos governantes à época (leia-se Iris Rezende), muito pouco foi regulamentado. Aliás, o pessedista atentou para o fato de que, até hoje, Goiânia não tem sequer um Código Tributário — o que dificulta, ainda mais, os investimentos em economia criativa, por exemplo.

Vanderlan Cardoso e Francisco Jr. também debateram sobre o desenvolvimento econômico da capital. Ambos alertaram para a necessidade de se potencializar as vocações econômicas. O candidato do PSB reiterou que pretende implantar polos industriais, se aproveitar dos próprios vazios urbanos para criar polos de desenvolvimento regionais.

Segurança

Aposta de 11 em cada dez especialistas políticos como sendo “o grande tema da eleição em Goiânia”, a segurança pública foi tratada, de forma direta, apenas pelos dois candidatos ligados às forças policiais. Delegado Waldir e (Delegada) Adriana Accorsi apresentaram suas propostas semelhantes para a Guarda Civil Metropolitana – que envolve valorização dos servidores, aumento do efetivo e melhores equipamentos.

Divergiram na maneira como tratam o tema: Adriana defende a prevenção, o combate às drogas e mais oportunidades a jovens e crianças. O candidato do PR foi mais incisivo no combate “duro ao crime”.

“Queremos recriar o projeto Cidadão 2000, instituído pelo ex-prefeito Darci Accorsi [pai da candidata] que foi extinto por prefeitos da velha prática política. Se chamará Cidadão do Futuro e dará qualificação e oportunidade do primeiro emprego aos jovens de nossa cidade”, propôs a petista.

Vale destacar que Adriana Accorsi criticou, mesmo que de forma indireta, o faltoso Iris Rezende (PMDB): repetiu por algumas vezes a expressão “a velha política de alguns candidatos”.

Considerações finais

Ao final do debate os candidatos fizeram as considerações finais e avaliaram sua participação no evento. Todos os presentes aproveitaram o momento para relembrarem suas principais propostas, falando diretamente com o eleitor.

“Quero ficar na história de Goiânia como fiquei na de Senador Canedo”, declarou Vanderlan. Apresentando projetos que serão feitos em parceria com o governo estadual e com o empresariado, defendeu que suas propostas serão possíveis por “gestão e planejamento”. Mostrou ainda ter ficado atento aos adversários ao elogiar algumas propostas e criticar outras.

Insistindo na ideia de que seu nome é sinônimo de renovação e talvez em uma tentativa de evitar uma associação de seu nome apenas com a pauta de segurança pública, o candidato do PR, Delegado Waldir, apontou propostas para servidores públicos e destacou o fato de não ter coligação com vários partidos. “Não tenho padrinhos e vou chegar à Prefeitura com independência”, garantiu.

Já o representante do PSOL foi o único a se manifestar em relação ao governo federal, se posicionando contra o presidente interino Michel Temer (PMDB). Para Sofiati, o debate  foi uma “conversa de compadres”. “Ficou evidente que apesar de sete candidatos, o eleitor tem duas opções: manter a cidade como está – com governos de base do governo estadual ou municipal – ou fazer a mudança”. Ele ainda destacou que sua gestão seria participativa e com um compromisso único: com as pessoas.

A gestão participativa também foi abordada por Adriana, que quis apresentar projetos para diferentes áreas: economia, saúde, educação, preferindo trabalhar seu nome como oportunidade de renovação.  Ela lembrou ainda seu trabalho como delegada e finalizou se compromissando a “honrar a confiança em ser a primeira mulher a cuidar dessa cidade”.

Francisco Jr insistiu na ideia de que nem todos os candidatos têm conhecimento sobre Goiânia. “É necessário conhecer e ter a visão de cidade, experiência, disposição e coragem e isso eu tenho”, garantiu. Apesar de não apresentar propostas nas últimas considerações, Francisco reforçou que conhece Goiânia a fundo, com todos seus problemas, e por isso pode solucioná-los com administração transparente e inovadora.

Candidato da Rede, Djalma destacou sua trajetória política e também afirmou conhecer os problemas da cidade. Prometendo romper com “a velha política”, Djalma defendeu que os candidatos não conhecem a realidade do povo goianiense e se colocou como quem tem condições de resolver desafios por não temer ninguém.

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