Candidato à Assembleia Constituinte é executado na Venezuela

Candidato do setor Comunas foi morto a tiros. Venezuelanos vão às urnas neste domingo para eleger representantes que redigirão novas leis para o País

Confronto entre a Guarda Nacional Venezuelana e a população na véspera da votação da Assembleia Constituinte | Foto: Miguel Gutierrez/Agência Lusa

Um candidato à Assembleia Nacional Constituinte foi morto a tiros em Ciudad Bolívar, capital do estado de Bolívar, no sul da Venezuela, informou neste domingo (30/7) o Ministério Público. Explicou que o advogado José Félix Pineda Marcano, de 39 anos, estava em casa com familiares e amigos quando duas pessoas invadiram o local, renderam todos e arrastaram para fora do imóvel.

Depois de tirá-lo de casa, dois homens atiraram contra o advogado, que era um dos candidatos à Assembleia Nacional Constituinte, que terá seus representantes eleitos neste domingo. A morte está sendo investigada, segundo a promotoria.

Pineda Marcano era candidato pelo setor Comunas e a morte ocorreu na véspera das eleições, marcada pelos protestos da oposição e pelo clima de tensão pelas críticas dos opositores e de boa parte da comunidade internacional ao protesto.

Neste domingo, os venezuelanos elegem 545 representantes responsáveis por redigir um novo ordenamento jurídico do país através de uma Assembleia Constituinte, um processo rejeitado pela oposição e por grande parte da comunidade internacional.

Os opositores afirmaram que boicotariam as eleições e prometeram uma série de protestos para evitar o que chamam de fraude.

O governo do presidente Nicolás Maduro proibiu qualquer manifestação ou concentração que possa impedir o processo.

Voto do presidente

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, foi o primeiro a votar, abrindo assim a eleição dos representantes da Assembleia Nacional Constituinte, um órgão que terá poderes ilimitados para promover reformas e mudar o ordenamento jurídico do país.

A chegada do presidente ao centro de votação foi transmitida ao vivo pela emissora estatal VTV, com o slogan primeiro voto pela paz. Maduro votou pouco depois das 6h locais (7h em Brasília), quando estava previsto a abertura das urnas.

As eleições para a Assembleia Nacional Constituinte, que não contam com a participação da oposição, ocorrem apesar da rejeição de grande parte dos setores sociais do país e da comunidade internacional. Protestos contra a medida iniciados em abril já deixaram 109 mortos, milhares de feridos e quase 5 mil presos.

“Quis ser o primeiro voto pela paz, pela soberania e pela independência da Venezuela. Hoje é um dia histórico”, disse Maduro após votar, acompanhado de alguns observadores internacionais que foram convidados pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE). O segundo voto foi dado pela primeira-dama, Cilia Flores, também candidata à Assembleia Constituinte.

Polícia dispersa protestos

Agentes da Guarda Nacional Bolivariana (GNB) dispersaram neste domingo, com bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha, dois protestos na região de El Paraíso, no oeste de Caracas, contra as eleições para a Assembleia Nacional Constituinte.

“Começa a repressão. A GNB não para de atacar em El Paraíso”, anunciou o vereador da oposição Jesús Armas no Twitter, publicando várias imagens onde é possível ver agentes das forças de segurança e a fumaça das bombas de gás lacrimogêneo.

O vereador pediu proteção aos moradores da região em decorrência dos confrontos e pelas “agressões” contra eles. Além disso, Armas disse que funcionários do Comando Nacional Antiextorsão e Sequestro (Conas) invadiram uma das casas e provocaram um incêndio em um estacionamento da região.

Segundo vários deputados da oposição, os incidentes em El Paraíso começaram durante a madrugada. A agência de notícias EFE tentou chegar à região, mas foi impedida pela polícia, que bloqueou os acessos.

Uma moradora de El Paraíso disse que a tensão começou por volta das 6h (7h em Brasília), quando os agentes chegaram à região lançando bombas de gás lacrimogêneo e atirando contra os manifestantes, que levantaram barricadas contra a Constituinte.

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ADALBERTO DE QUEIROZ

E pensar que era isso que o petê desejava para o Brasil, como fica claro no vergonhoso apoio que Gleisi H. e Lula dão à ditadura de Maduro na Venezuela! Evidenciam-se a desfaçatez e o espírito expansor do comunismo – provavelmente as armas e os recursos públicos lá girem com dinheiro de propina movimentada pelo partido aqui e alhures – Africa, Latino-América e Bahia.