Câncer de cabeça e pescoço avança no Brasil; sintomas persistentes por mais de 60 dias exigem investigação
22 julho 2026 às 15h13

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Feridas na boca que não cicatrizam, rouquidão persistente, dificuldade para engolir e o surgimento de um nódulo no pescoço costumam ser atribuídos a inflamações ou problemas passageiros. No entanto, quando esses sintomas persistem por mais de dois meses, podem indicar um câncer de cabeça e pescoço, grupo de tumores que deve atingir mais de 42 mil brasileiros por ano entre 2026 e 2028, segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA).
A projeção do instituto aponta que, ao longo do triênio, o país deverá registrar mais de 126 mil novos casos de tumores na cavidade oral, laringe e tireoide. Apesar da elevada incidência, o diagnóstico ainda costuma ocorrer tardiamente. Dados do INCA indicam que aproximadamente oito em cada dez pacientes descobrem a doença apenas em estágios avançados, quando o tratamento exige intervenções mais complexas e as chances de cura são menores.
Para o cirurgião de cabeça e pescoço cooperado da Unimed Goiânia, Alexandre Roberti, a persistência dos sintomas é o principal fator que diferencia um problema transitório de um quadro que precisa ser investigado.
“Rouquidão persistente, dor ou dificuldade para engolir, feridas na boca que não cicatrizam e nódulos no pescoço que aumentam de tamanho merecem atenção. Se esses sintomas permanecem por mais de 60 dias, o paciente deve procurar avaliação médica”, afirma.
Hábitos de vida continuam sendo os principais fatores de risco
O tabagismo permanece como o principal fator associado ao desenvolvimento do câncer de cabeça e pescoço. O consumo frequente de bebidas alcoólicas potencializa esse risco e, mais recentemente, especialistas também passaram a incluir os cigarros eletrônicos entre as preocupações devido aos efeitos provocados nas vias aéreas e na cavidade oral.
Outro fator que tem alterado o perfil da doença é a infecção pelo papilomavírus humano (HPV), especialmente nos casos de câncer de orofaringe. Segundo Alexandre Roberti, isso fez com que tumores antes concentrados em fumantes e consumidores de álcool passassem a atingir também pacientes com outro perfil clínico.
“Álcool, tabaco, cigarro eletrônico e HPV estão entre os principais fatores de risco. Reduzir essas exposições é uma das formas mais importantes de prevenção”, explica.
Embora os homens ainda concentrem a maior parte dos diagnósticos, principalmente dos tumores da cavidade oral e da orofaringe, especialistas observam mudanças no comportamento epidemiológico da doença em razão da maior participação do HPV entre os casos registrados.
Diagnóstico precoce pode evitar tratamentos agressivos
Além de aumentar significativamente as chances de cura, identificar o câncer nas fases iniciais reduz a necessidade de cirurgias extensas, tratamentos combinados e sequelas funcionais, como alterações na fala, na deglutição e na respiração.
Segundo Alexandre Roberti, a maioria dos tumores apresenta elevada possibilidade de cura quando descoberta precocemente.
“A prevenção continua sendo o melhor caminho. Quanto mais cedo o diagnóstico é feito, maiores são as chances de sucesso no tratamento e menor é o impacto na qualidade de vida do paciente”, ressalta.
O especialista orienta que consultas preventivas façam parte da rotina e que sintomas persistentes nunca sejam negligenciados. Diante de qualquer sinal suspeito, a recomendação é procurar um clínico geral, um otorrinolaringologista ou um cirurgião de cabeça e pescoço para avaliação especializada.
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