Bueno e Marista concentram 31,8% dos imóveis à venda em Goiânia; metro quadrado chega a R$ 11,6 mil
23 setembro 2026 às 15h04

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O preço médio dos imóveis residenciais em Goiânia mais que dobrou nos últimos cinco anos. O valor do metro quadrado passou de R$ 5.687, em 2021, para R$ 11.681 no primeiro semestre de 2026, uma valorização acumulada de 105%. Ao mesmo tempo, a oferta permanece concentrada nas regiões mais valorizadas da capital: os setores Bueno e Marista reúnem, juntos, 31,8% dos imóveis disponíveis.
Ao Jornal Opção, o diretor de Pesquisa e Estatística da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás (Ademi-GO), Credson Batista, explicou que a concentração está relacionada à localização e à infraestrutura oferecida pelos dois bairros.
“Sempre apresentamos os dez bairros que concentram a maior oferta de Goiânia. Naturalmente, Setor Bueno e Setor Marista ocupam as duas primeiras posições, pois são os mais bem localizados em termos de deslocamento e vias, além de serem os mais bem atendidos por serviços, infraestrutura de lazer e restaurantes”, disse.

“Esses dois bairros concentram, sozinhos, 31,8% de toda a oferta da cidade. É natural que mais pessoas busquem moradia nessas regiões e que a principal oferta esteja concentrada nelas”, acrescentou.
Metro quadrado chega a R$ 11.681
Além da concentração dos empreendimentos em determinadas regiões, o mercado imobiliário da capital registra avanço dos preços. No acumulado de 2026 até junho, o metro quadrado residencial chegou a R$ 11.681, alta de 7,4% em comparação com o fechamento de 2025, quando estava em R$ 10.872.

Segundo Credson, o aumento das vendas acompanhado pela redução da oferta contribuiu para esse movimento.
“Goiânia viveu um momento em que aceleramos o volume de vendas e a oferta foi reduzida, o que naturalmente resultou em valorização. O preço médio do metro quadrado residencial na capital atingiu R$ 11.681 no acumulado de 2026 até junho, representando uma valorização de 7,4% em relação ao fechamento de 2025”, explicou.
Caso o ritmo seja mantido, a avaliação da Ademi-GO é de que a valorização pode novamente atingir dois dígitos no fechamento do ano.
“Caso essa tendência se mantenha, no segundo semestre teremos uma valorização próxima de 7%, o que deve levar o ano a registrar novamente uma alta de dois dígitos, repetindo o movimento observado desde 2020 e ficando acima da taxa Selic”, afirmou.
Para Credson, o cenário mantém os imóveis como uma alternativa para investidores, tanto pela valorização do patrimônio quanto pela possibilidade de renda com aluguel.
Valorização chega a 105% em cinco anos
A alta registrada em 2026 faz parte de um movimento observado nos últimos cinco anos. Segundo os dados apresentados pela entidade, o preço médio do metro quadrado passou de R$ 5.687, em 2021, para R$ 11.681 em 2026, avanço acumulado de 105%.
“O preço do metro quadrado em Goiânia mais do que dobrou entre 2021 e 2026. Nesse período, registramos dois anos consecutivos de alta de 18%, o que significa que quem comprou imóvel na planta há quatro ou cinco anos viu seu patrimônio literalmente duplicar”, afirmou.

Para os próximos anos, a expectativa apresentada pelo diretor é de continuidade da pressão sobre os preços. Entre os fatores citados estão os custos dos materiais, a variação cambial, a reforma tributária e o encarecimento do crédito destinado às incorporadoras.
“Para os próximos anos entendemos que essa valorização deve se manter, já que continuamos enfrentando pressão de custos, com o petróleo em alta, a dependência de materiais importados e a flutuação cambial. Além disso, já estamos vivenciando a transição da reforma tributária, que tende a elevar os custos da construção civil, somada ao custo de capital mais caro para quem produz”, argumentou.
Credson explicou que, enquanto os bancos continuam direcionando financiamentos aos compradores, as incorporadoras recorrem cada vez mais a outras fontes de recursos.
“Os bancos têm direcionado os financiamentos para pessoas físicas de forma assertiva, garantindo que o mercado continue com fluxo de compradores. No entanto, os recursos destinados aos incorporadores têm sido cada vez mais provenientes da tesouraria e do mercado de capitais, atrelados à Selic ou ao CDI”, disse.
Segundo ele, o aumento do custo do capital acaba incorporado aos preços dos novos empreendimentos. “Isso significa que o custo do capital para o empreendedor aumentou de maneira substancial e precisa ser repassado ao cliente. Diante desses números, entendemos que a valorização que vem ocorrendo de forma consistente deve continuar”, completou.
Marista se aproxima de R$ 14 mil por metro quadrado
A diferença de preços fica ainda mais evidente quando são considerados alguns dos bairros mais valorizados de Goiânia. Enquanto a média da capital é de R$ 11.681 por metro quadrado, o recorte formado por Bueno, Marista, Oeste e Jardim Goiás apresenta média de R$ 13.147.
“As médias de preço em Goiânia ficam em torno de R$ 11.681 quando se considera a cidade inteira. Nós preferimos analisar os quatro principais bairros, como Bueno, Marista, Oeste e Jardim Goiás, e nesse recorte o valor médio sobe para R$ 13.147, aproximadamente R$ 1.500 acima da média geral”, explicou.
Entre eles, o Setor Marista se destaca. Segundo Credson, o preço médio se aproxima de R$ 14 mil por metro quadrado, mas determinados empreendimentos já alcançam valores superiores.
“O bairro Marista merece destaque, já que se aproxima da marca dos R$ 14 mil por metro quadrado. É importante lembrar que esses números representam médias, pois há empreendimentos no Marista sendo comercializados a R$ 18 mil ou até R$ 19 mil, justamente por ser a região mais demandada”, afirmou.
Valorização avança para bairros vizinhos
A alta dos preços nas regiões mais procuradas também tem estimulado novos empreendimentos em bairros próximos. Serrinha, Coimbra e Jardim América aparecem, segundo Credson, como alternativas para compradores que buscam acesso à infraestrutura das áreas mais valorizadas por preços menores.
“Quando os principais bairros têm o preço do metro quadrado pressionado para cima, é natural que eles impulsionem o desenvolvimento das áreas vizinhas. Esse movimento já pode ser observado em Serrinha, Coimbra e Jardim América, bairros que até três ou quatro anos atrás eram pouco explorados e agora surgem como alternativas mais acessíveis”, explicou.
No Serrinha, por exemplo, o metro quadrado está em torno de R$ 11.300, segundo os números apresentados pela entidade.
A procura também varia conforme o tipo de imóvel. Unidades de um quarto têm ganhado espaço principalmente entre investidores, impulsionadas pela demanda por locações de curta duração.
“As unidades de um quarto sempre se destacam por serem muito procuradas por investidores e pela forte demanda de locação short stay que Goiânia vem registrando, o que explica o volume intenso de lançamentos nesse formato”, disse.
O movimento também alcança casas e imóveis comerciais. “É importante reforçar que esses números representam médias, já que existem empreendimentos comercializados acima de R$ 20 mil por metro quadrado”, concluiu.
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