Um investimento de R$ 22,1 milhões vai criar uma nova ligação entre a região industrial de Aparecida de Goiânia e a GO-020, abrindo uma alternativa para o escoamento da produção e o deslocamento entre o município e a capital. A ordem de serviço para a construção do eixo viário entre o Distrito Agroindustrial Norberto Teixeira (Dianot), o Vale das Pombas e a rodovia será assinada nesta quinta-feira, 24.

O ato será realizado às 9h30, no Espaço Multiuso da Cidade Administrativa Maguito Vilela, e marcará também outra etapa importante para o novo distrito industrial: as primeiras empresas contempladas receberão os certificados que permitirão o início da construção de suas unidades no Dianot.

Os dois movimentos ocorrem simultaneamente. Enquanto as primeiras indústrias avançam para a instalação física, o novo corredor viário pretende resolver uma das questões estratégicas para o funcionamento de um complexo desse porte: o acesso à malha rodoviária.

Com 3,84 quilômetros de extensão, o eixo será construído pelo Estado de Goiás e terá pista dupla, ciclovia, calçada para pedestres e uma ponte de concreto de 30 metros sobre o Ribeirão Santo Antônio. O cronograma prevê conclusão em maio de 2027.

A intervenção inclui ainda a duplicação da Avenida Copacabana, a partir do All Park Polo Empresarial, além da implantação do acesso em pista dupla ao Dianot.

Quando concluída, a ligação não atenderá somente às empresas instaladas no novo distrito. A proposta é que o corredor também funcione como rota alternativa para quem parte de outros polos industriais de Aparecida, como o Polo Empresarial Vice-Presidente José Alencar, o Distrito Industrial Municipal de Aparecida de Goiânia (Dimag) e o Distrito Agroindustrial de Aparecida de Goiânia (Daiag), em direção à GO-020.

Dianot começa a receber empresas

A assinatura ocorre em um momento decisivo para o Dianot. Depois de anos de planejamento, obras de infraestrutura e seleção das empresas, o distrito começa a entrar na fase de ocupação.

O empreendimento possui mais de 2 milhões de metros quadrados e capacidade projetada para receber cerca de 200 indústrias. A estimativa oficial é de aproximadamente 30 mil empregos diretos e indiretos quando o complexo estiver consolidado.

Novo distrito já chega com toda a infraestrutura necessária | Foto: divulgação/Codego

O projeto representa um investimento público que já ultrapassa R$ 100 milhões. Dados apresentados pelo governo estadual à Assembleia Legislativa apontaram que o custo da implantação chegou a R$ 128 milhões, considerando reajustes e aditivos. Em agosto, foi autorizado um aporte adicional de R$ 27,6 milhões para assegurar a conclusão das obras.

A estrutura planejada para o distrito inclui pavimentação, iluminação pública, abastecimento de água, redes de esgoto, drenagem, energia elétrica e sistemas de tratamento. A proposta é justamente evitar uma dificuldade enfrentada historicamente por outros polos industriais: empresas chegarem antes de toda a infraestrutura necessária para operar.

Vista aérea do Dianot | Foto: divulgação/Codego

A entrega dos primeiros certificados nesta quinta-feira, portanto, representa a transição do Dianot de um grande projeto de infraestrutura para um distrito que começa efetivamente a receber suas fábricas.

Empresas já preparavam investimentos

Em julho, reportagem do Jornal Opção mostrou que empresários selecionados para ocupar o Dianot já trabalhavam nos projetos de suas novas unidades e apontavam a infraestrutura pronta como um dos principais atrativos do empreendimento.

Entre as empresas que anunciaram planos de instalação estão Imperador Alimentos, Rei Doces e Caseratto.

A Imperador Alimentos, fundada em 1995, projetou um complexo em uma área de 52,6 mil metros quadrados. A empresa, que possui 168 produtos no catálogo, planeja instalar inicialmente uma fábrica de molhos e, posteriormente, unidades destinadas a especiarias, castanhas, frutas secas, geleias e chocolates.

Eduardo (à esquerda) e Acir (à direita) estão à frente da Imperador Alimentos | Foto: arquivo pessoal

A expansão pode levar a companhia dos atuais 220 trabalhadores para mais de 1,2 mil colaboradores, segundo projeção apresentada pelo empresário Eduardo Gomes ao Jornal Opção.

“Cada nova linha industrial representa mais empregos, mais fornecedores e mais movimentação econômica. É um crescimento que beneficia toda a cadeia produtiva”, afirmou à época.

Leandro e Gracileny Valim estão à frente da Rei Doces, que também se instalará no Dianot | Foto: arquivo pessoal

A Rei Doces também planejou uma fábrica de aproximadamente 11 mil metros quadrados, com investimento estimado em R$ 4 milhões. A empresa, especializada em doces de banana e produtos sem adição de açúcar, projetou quadruplicar o quadro de funcionários, atualmente formado por cerca de 50 trabalhadores.

Já o Caseratto escolheu o distrito para instalar uma central de produção destinada a abastecer os restaurantes da marca. A ideia é concentrar no local a fabricação de alimentos, molhos e outros insumos utilizados pela rede, acompanhando o plano de expansão para Goiás e outros estados.

Tales Garcia (à esquerda) e Rafael Dâmaso (à direita) são sócios do Caseratto | Foto: arquivo pessoal

De 32 para dezenas de empresas

O processo de ocupação também cresceu ao longo da implantação. A primeira etapa foi inicialmente desenhada para acomodar 32 empresas, mas negociações para adequação dos projetos às áreas disponíveis permitiram ampliar o aproveitamento dos terrenos.

Em abril deste ano, a Codego homologou 84 empresas classificadas no processo de seleção da primeira etapa. Em junho, representantes dos empreendimentos participaram da sessão pública de consolidação e homologação das áreas, procedimento necessário para avançar na instalação das unidades.

Em pleno funcionamento, Dianot terá uma área de quase 1,5 milhão de metros quadrados | Foto: divulgação/Codego

O interesse empresarial é um dos motivos pelos quais a possibilidade de expansão passou a ser discutida antes mesmo da ocupação completa da área inicialmente disponibilizada.

Documentos da Codego apontam que o Dianot possui área total superior a 2,2 milhões de metros quadrados. O projeto foi concebido diante do esgotamento de áreas disponíveis em distritos industriais já consolidados e da demanda empresarial por novos espaços para expansão em Aparecida.

Uma saída para a GO-020

É nesse cenário que o novo eixo viário ganha peso para além dos 3,84 quilômetros previstos no projeto.

A ligação direta com a GO-020 amplia as possibilidades logísticas para uma região que concentra diferentes polos empresariais e industriais. Além do escoamento de mercadorias, a nova via deverá absorver parte dos deslocamentos diários de trabalhadores e moradores da região leste de Aparecida e do Vale das Pombas.

O prefeito Leandro Vilela afirma que a obra permitirá reduzir o percurso das empresas em direção à rodovia e criar uma nova alternativa de mobilidade para a população.

“Com muito trabalho, dedicação, gestão eficiente dos recursos públicos e sensibilidade do governador Daniel Vilela e do então governador Ronaldo Caiado para com as demandas de Aparecida, o eixo ligando o Dianot à GO-020 oferecerá mais uma alternativa para escoar a produção das empresas da nossa cidade e agilizar o deslocamento dos moradores na região do Vale das Pombas”, afirmou.

Prefeito Leandro Vilela | Foto: Divulgação

Segundo o prefeito, o avanço do distrito coloca o município diante de uma nova etapa de desenvolvimento econômico e de atração de investimentos.

A dimensão logística é especialmente relevante porque Aparecida já possui uma concentração de áreas industriais. O Daiag, por exemplo, foi inaugurado em 1989, possui aproximadamente 1,1 milhão de metros quadrados e abriga mais de 30 indústrias. O novo Dianot amplia essa estrutura em uma área superior a 2 milhões de metros quadrados.

Uma demanda antiga do setor produtivo

A implantação de uma nova área industrial é uma reivindicação antiga de empresários de Aparecida. Em reportagem publicada pelo Jornal Opção, o presidente da Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de Aparecida de Goiânia (Aciag), Max Coelho, afirmou que a falta de terrenos disponíveis já dificultava a expansão de empresas instaladas no município e a chegada de novos empreendimentos.

“Não estamos falando apenas de terrenos para empresas. Estamos falando de geração de renda, arrecadação, inovação e empregos. O Dianot significa planejar Aparecida para os próximos 30 ou 40 anos”, afirmou.

Presidente da Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de Aparecida de Goiânia (Aciag), Max Coelho | Foto: Divulgação

O desafio passa agora a ser transformar os terrenos concedidos e os projetos anunciados em fábricas efetivamente funcionando.

A infraestrutura interna do distrito, a liberação das empresas para iniciar as construções e a conexão com a GO-020 fazem parte desse processo. Se o cronograma do novo eixo for cumprido, a ligação estará pronta em maio de 2027, período em que parte das empresas contempladas já deverá estar instalada ou em processo de implantação.

Com a entrega dos primeiros certificados e a autorização para o início da nova ligação viária, o Dianot começa, assim, a sair da fase marcada por obras públicas, editais e seleção de empresas para uma etapa em que o tamanho do projeto deverá ser medido pela chegada das indústrias, pelos investimentos privados e pelos empregos efetivamente criados.

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