O Banco de Brasília (BRB) solicitou à Justiça que o patrimônio de Daniel Vorcaro e demais investigados seja utilizado para garantir o pagamento de indenizações relacionadas à compra de carteiras de crédito consideradas “podres” ou inexistentes do Banco Master.

A ação foi protocolada na 13ª Vara Cível de Brasília e amplia a disputa judicial envolvendo prejuízos bilionários. De acordo com a petição, publicada pelo Metrópoles, o BRB pede que os bens dos controladores do Banco Master e de pessoas ligadas às supostas fraudes também sejam incluídos na responsabilização, permitindo a recomposição dos prejuízos causados à instituição pública.

Entre os réus citados no processo estão o Banco Master, Daniel Vorcaro, João Carlos Mansur, Daniel de Faria Jerônimo Leite e Daniel Monteiro, além dos fundos de investimento Bandeirante, Asterope FIP, Victoria FIM, 963 FIM, Siracusa, Borneo, Casamata, Delta e Deneb.

Segundo investigações da Polícia Federal, o BRB movimentou cerca de R$ 30,4 bilhões em carteiras adquiridas do Banco Master desde julho de 2024. Desse total, aproximadamente R$ 12 bilhões estariam relacionados a ativos inexistentes.

Diante disso, o banco pede à Justiça que, caso não seja aceita a utilização direta dos bens das pessoas físicas, os envolvidos sejam condenados de forma solidária pelos prejuízos, por participação direta ou indireta nas irregularidades.

O pedido ocorre dentro do processo em que a Justiça já determinou o bloqueio e arresto de ações ligadas ao Banco Master e à Reag, instituições que passaram por liquidação pelo Banco Central. O valor dessas ações é estimado em R$ 376,4 milhões.

No entanto, segundo os advogados do BRB, o montante é insuficiente diante do tamanho do prejuízo potencial, que pode atingir cifras bilionárias. Por isso, a instituição busca ampliar as garantias com o uso de bens pessoais dos investigados.

A crise decorrente da operação com o Banco Master já afeta diretamente o balanço do BRB. A instituição precisa realizar um provisionamento estimado em R$ 8,8 bilhões, conforme informado pelo presidente do banco, Nelson Antônio de Souza.

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