Brasil e Estados Unidos marcaram uma nova reunião para discutir as tarifas impostas por Washington sobre produtos brasileiros. O encontro virtual está previsto para a próxima segunda-feira, 31, às 14h30, e será realizado entre representantes dos dois governos.

Segundo um integrante do governo brasileiro que participa das negociações, a iniciativa partiu do governo do presidente Donald Trump. O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, teria procurado o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, para organizar a conversa.

A reunião será conduzida pelos dois representantes, com a participação de outros auxiliares dos governos. Greer chefia o órgão responsável pelas negociações comerciais dos Estados Unidos e conduz a investigação que resultou na nova rodada de tarifas contra produtos brasileiros.

O encontro ocorre após o telefonema entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Trump na última semana. Na conversa, Lula voltou a afirmar que as tarifas impostas ao Brasil são infundadas. Segundo o Palácio do Planalto, Trump indicou que seria importante que as equipes dos dois países retomassem o diálogo rapidamente.

Apesar da retomada das negociações, o governo brasileiro trabalha com baixa expectativa de que a reunião resulte imediatamente em uma redução das tarifas. A avaliação, porém, é de que a reabertura do diálogo pode representar um avanço diante das incertezas sobre a política comercial do governo Trump.

Tarifas sobre produtos brasileiros

Em julho, os Estados Unidos anunciaram uma sobretaxa de 12,5% sobre produtos brasileiros, sob a justificativa de uma investigação relacionada a falhas no combate à importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. O Brasil já estava sujeito a uma sobretaxa de 25%.

A decisão foi acompanhada de críticas do governo norte-americano ao governo Lula. Na ocasião, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que o presidente brasileiro e sua equipe não teriam negociado com Washington de boa-fé. Rubio também criticou as políticas econômicas do governo brasileiro e disse que as tarifas seriam consequência da falta de um acordo entre os dois países.

Lula e Trump têm previsão de se encontrar em Nova York na segunda quinzena de setembro, durante a Assembleia-Geral das Nações Unidas. O presidente brasileiro deve participar da abertura do evento, tradicionalmente feita pelo chefe de Estado do país anfitrião, neste caso Trump.

Existe a possibilidade de uma conversa entre os dois presidentes durante a agenda internacional. No ano passado, Lula e Trump tiveram um encontro inesperado nos bastidores da Assembleia-Geral da ONU. Na ocasião, o presidente norte-americano afirmou que havia ocorrido uma “excelente química” entre os dois.

O cenário, porém, mudou desde então. Além do conflito comercial provocado pelo tarifaço, o relacionamento entre os governos é afetado pela proximidade de integrantes da família Bolsonaro com autoridades dos Estados Unidos e por medidas adotadas por Washington contra autoridades brasileiras. Entre essas medidas está a revogação do visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti.

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