A Justiça chinesa condenou nesta quinta-feira, 20, à prisão perpétua o fundador da gigante imobiliária Evergrande, Xu Jiayin. Também conhecido como Hui Ka Yan, o empresário teve todos os bens pessoais confiscados e perdeu os direitos políticos por toda a vida. Segundo a decisão do Tribunal Intermediário de Shenzhen, ele foi condenado por uma série de crimes financeiros, incluindo fraude na captação de recursos, absorção ilegal de depósitos públicos, uso indevido de recursos, emissão fraudulenta de valores mobiliários e suborno.

Xu é conhecido internacionalmente como Hui Ka Yan e já foi considerado o homem mais rico da China. Ele estava sob medidas restritivas desde 2023. Em abril deste ano, declarou-se culpado das acusações e afirmou estar arrependido.

O Tribunal Intermediário de Shenzhen condenou o Evergrande Group ao pagamento de uma multa de 8,82 bilhões de yuans, enquanto a Evergrande Real Estate, principal subsidiária imobiliária do grupo, foi multada em 7 bilhões de yuans. Juntas, as multas equivalem a cerca de US$ 2,35 bilhões.

Além das penalidades financeiras, cinco outros executivos receberam penas de prisão que variam de seis a 18 anos. Ao todo, 56 pessoas foram condenadas no processo.

O esquema de fraudes e desvios

De acordo com a Justiça chinesa, entre 2016 e 2021, Xu Jiayin e empresas do grupo Evergrande praticaram fraudes financeiras em larga escala, inflando ativos e ocultando passivos.

A investigação apontou ainda irregularidades na captação de recursos, uso indevido de dinheiro e práticas relacionadas à emissão fraudulenta de valores mobiliários. O tribunal considerou que os crimes envolveram valores extremamente elevados e provocaram graves danos econômicos e sociais, justificando a aplicação de penas severas.

A sentença também determinou a recuperação dos ganhos obtidos ilegalmente. Caso os valores recuperados não sejam suficientes para cobrir os prejuízos, os responsáveis deverão ressarcir a diferença, conforme determinação judicial.

Símbolo da crise imobiliária chinesa

A Evergrande se tornou um dos principais símbolos da crise imobiliária chinesa. A companhia acumulou mais de US$ 300 bilhões em passivos antes de entrar em inadimplência em 2021, após anos de expansão baseada em elevado nível de endividamento.

A crise da empresa se tornou um dos episódios mais graves do setor imobiliário chinês e teve efeitos sobre compradores de imóveis, investidores e credores. A situação também se inseriu em uma crise mais ampla do mercado imobiliário da China, que permanece sob pressão.

Entre os principais desdobramentos estão:

  • Liquidação judicial: em janeiro de 2024, um tribunal de Hong Kong determinou a liquidação da Evergrande após a empresa não conseguir apresentar um plano considerado viável para seus credores.
  • Multas bilionárias: o Evergrande Group foi multado em 8,82 bilhões de yuans, enquanto a Evergrande Real Estate recebeu multa de 7 bilhões de yuans.
  • Executivos condenados: além de Xu Jiayin, outros 55 envolvidos no processo receberam penas, com condenações que chegam a 18 anos de prisão.
  • Colapso da companhia: a empresa, que chegou a ser uma das maiores incorporadoras do mundo, acumulou mais de US$ 300 bilhões em passivos antes de entrar em default em 2021.

A condenação de Xu Jiayin encerra uma das principais etapas judiciais do colapso da Evergrande, mas não resolve as perdas acumuladas por credores e investidores. A recuperação de ativos e o processo de liquidação da companhia continuam.

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