Baixa cobertura vacinal preocupa secretários de Saúde de todo o País

Encontro liderado pelo secretário de Goiás, Leonardo Vilela, vai discutir estratégias para combater informações falsas sobre vacinas 

Vacina do HPV será disponibilizada para adultos em cidades com doses que estão prestes a vencer | Foto: ABr

O secretário de Saúde de Goiás, Leonardo Vilela, avaliou em entrevista ao Jornal Opção nesta quarta-feira (27/6) que a queda nos índices de cobertura vacinal é um dos maiores problemas de saúde pública no Brasil atualmente.

Segundo Vilela, que também é presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), a preocupação atinge em cheio todos os estados da federação. Na próxima quinta-feira (28/6), secretários de Saúde de todo o país estarão reunidos para discutir o tema.

“Estaremos com o Ministério da Saúde para tratar de estratégias para abordar esse problema. O Brasil já teve os melhores índices de vacinação do mundo, essa sempre foi uma das grandes vitórias do SUS [Sistema Único de Saúde], ou seja, a alta cobertura vacinal que levou à extinção da poliomelite, sarampo e tantas outras doenças. Porém, nos últimos 10 anos, as taxas tem caído consistentemente e isso é extremamente preocupante”, avaliou.

Ele alerta que já existem 300 casos de sarampo registrados no norte do país. “Hoje temos bolsões de pessoas que não estão imunizadas, o que pode acarretar em uma verdadeira epidemia de sarampo em todo o país. Não apenas o sarampo, mas também poliomelite, que já estava erradicada há muitos anos, e outras tantas como tétano e coqueluche”, elencou.

Na última terça-feira (26/6), o ministro da Saúde, Gilberto Occhi admitiu que a campanha de vacinação contra a gripe em crianças abaixo de cinco anos foi um fracasso, repetindo o baixo índice de cerca de 70% registrado no ano passado.

“Na campanha contra influenza, encerrada recentemente, Goiás foi o único estado do país a atingir a cobertura de 100%, mas aqui também tivemos o maior número de casos e de óbitos. Outros estados estão com índices sofríveis de 40% a 50% ou até menos”, relatou.

Para Vilela, o principal problema é a disseminação de informações falsas, especialmente via redes sociais. “Isso leva os pais a terem medo de vacinar os filhos. Mas isso é um receio infundado. As vacinas são extremamente seguras e comprovadamente eficazes. Além disso, é um serviço disponibilizado gratuitamente para a população”, ressaltou.

Atualmente, são ofertadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) 19 vacinas recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), beneficiando todas as faixas etárias. Segundo dados do Ministério da Saúde, por ano, são disponibilizados pela rede pública de saúde de todo o País cerca de 300 milhões de doses de imunobiológicos para combater mais de 20 doenças.

“Precisamos estudar formas de desmentir as informações falsas, levar para a população a importância da prevenção contra doenças graves que tem sequelas e podem levar a óbito. Claro que os governos têm responsabilidade, mas também cabe à população fazer sua parte”, finalizou.

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