Áudio de ministro revela que MEC priorizava demanda de pastores a pedido de Bolsonaro

Milton Ribeiro lista amigos de religiosos como prioridade para liberação de verbas e pede apoio em construção de igrejas

Em reunião com prefeitos, o ministro da Educação Milton Ribeiro afirmou priorizar a liberação de recursos do Ministério da Educação (MEC) para pastores que não possuem cargo público, a pedido do presidente Jair Bolsonaro (PL). Em áudio obtido e divulgado pela Folha, na noite dessa segunda-feira, 21, o ministro diz que atende a um “pedido especial que o presidente da República fez para mim sobre a questão do [pastor] Gilmar”.

Além do ministro e do pastor, estavam presentes na reunião o também pastor Arilton Moura e alguns prefeitos.

Desde 2021, os dois religiosos atuam junto a prefeituras para obter liberação de recursos federais geridos pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), a fim de realizar de obras em creches, escolas e quadras de esportes. Durante a reunião, ao mesmo tempo em que anunciava cortes de recurso para a educação, o ministro listava a intenção de beneficiar contatos próximos ao pastor. “A minha prioridade é atender primeiro os municípios que mais precisam e, em segundo, atender a todos os que são amigos do pastor Gilmar”, declara o ministro. No trecho, ele ainda ri e brinca com o outro pastor presente.

Num outro momento do áudio, com partes inaudíveis, também é possível perceber que o ministro menciona alguma espécie de acordo em troca da negociação. “O apoio que a gente pede não é segredo, isso pode ser [inaudível] é apoio sobre construção das igrejas.”

A proximidade dos pastores com o governo Bolsonaro já é antiga. Em evento realizado no Palácio do Planalto em 18 de outubro de 2019, com o presidente e alguns ministros, os dois estavam presentes. Em 10 de fevereiro do ano passado, a dupla voltou a aparecer ao lado do ministro Milton Ribeiro em reunião com 23 prefeitos, apesar de não terem os nomes listados na agenda oficial.

Na última semana, uma denúncia do jornal Estado de São Paulo apontou que os dois possuem livre circulação no Ministério, atuando para controlar parte da agenda e do destino de verba da pasta. Ao todo, a dupla teria participado de 22 agendas oficias do MEC somente nos últimos 15 meses, sendo que 19 delas contavam com a presença do ministro, que também é pastor.

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