Astrônomo diz que clarão no céu pode ser lixo espacial

Planetário da UFG registrou queda em uma das câmeras de monitoramento. Cosmólogo diz haver indícios negativos sobre resto de missões espaciais

Foto: reprodução

A noite de quarta-feira, 17, foi atípica no céu de várias cidades de Goiás e no Distrito Federal. Por volta das 20h30 um corpo luminoso ainda não identificado causou um clarão registrado por diversos moradores. Ao Jornal Opção, o professor em cosmologia, Paulo Sobreira, do Planetário da UFG, confirmou a queda.

Segundo o professor, não será possível dizer do que o objeto se trata, já que o único registro preciso foi feito por uma das câmeras do Planetário. Entretanto, segundo ele, há indícios de que pode se tratar da queda de fragmentos de lixo espacial, o que é um alerta para a população.

Em um primeiro momento, o professor diz que na dúvida o objeto deve ser classificado como meteoro, e aproveita para explicar as diferentes denominações de objetos que caem sobre a terra. “O corpo quando está na órbita é chamado de meteoroide,  quando atravessa se torna um meteoro, se vencer a atmosfera ai é chamado de meteorito, esse último foi o que caiu sobre a Russia em janeiro de 2013”.

Quando questionado sobre o porquê de não ter havido nenhum sinal de que a queda aconteceria, Paulo explica que radares aéreos e telescópios de monitoramento não conseguem localizar objetos muito pequenos, que em referência da área de estudo depende da distância do objeto com a terra, mas giram em torno de objetos menores a 12 m².

Lixo espacial

Pelas características das imagens, que segundo Paulo mostra dois pontos de luz, há indícios de que pode se tratar do chamado lixo espacial, termo dado aos restos de missões espaciais diversas, desde o lançamento de satélites a até foguetes tripulados. O professor alerta sobre a quantidade dessa material que se acumula de forma incontrolável.

“A queda desses objetos em um primeiro momento não precisa gerar preocupação, já que a maioria se dissolve no atrito com a atmosfera. Entretanto a depende do tamanho, pode ser arriscado”, explica o professor, destacando a impossibilidade de prever o momento da queda desse tipo de corpo.

Segundo Paulo Sobreira, o assunto é neglicenciado por governos que seguem protocolos de envio de foguetes e que se transforam em lixo que polui a órbita, gera risco para a terra e ainda caem sobre outros planetas.

“O ser humano não satisfeito em poluir a terra, está poluindo a órbita e ainda outros planetas”, afirma Paulo, exemplificando os 60 restos de lixo terrestre presentes na lua. Além do satélite natural terrestre, marte também sofre com contaminações de lixo produzido por aqui, inclusive com envio não controlado de bactérias para o solo marciano, a partir de objetos que são enviados, explica o professor.

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