“As empresas que devem se adequar, e não a natureza”, diz teólogo em Fórum Ambiental

Discussão girou em torno do desenvolvimento sustentável que, conforme palestrante, é vista somente na perspectiva econômica

| Foto: Sarah Teófilo

Frei Rodrigo Amédée e Ivo Poletto participaram da conversa sobre sustentabilidade | Foto: Sarah Teófilo

Sarah Teófilo
Da Cidade de Goiás

A abertura do Fórum Ambiental na 17ª edição do Festival Internacional de Cinema Ambiental (Fica), no final da manhã desta quarta-feira (12/8), foi marcada por discussão a cerca da sustentabilidade e financeirização da natureza. Tanto o teólogo Frei Rodrigo Amédée Péret e Ivo Poletto falaram sob uma perspectiva do capital e do desequilíbrio ecológico causado por um consumo exacerbado.

O desenvolvimento sustentável, conforme explicado pelo Frei, não existe da forma como é difundida, e é vista mais na perspectiva econômica, e não da defesa da vida em si. “A sustentabilidade hoje é encarada muito mais na perspectiva de adequação do ecossistema aos empreendimentos. Mas quem em que se adequar são as empresas, e não a natureza”, afirma.

De acordo com o palestrantes, não existe uma discussão profunda quanto à capacidade que um território tem. Certo tipo de exploração da terra, como, por exemplo, o plantio de cana-de-açúcar, é feito sem saber se a região é explorada de outras formas, e se a terra ainda aguenta. O teólogo ainda pontuou que sustentabilidade é, na verdade, a vida como um todo; a capacidade de viver em relação com tudo que está em volta dos cidadãos.

Ambos questionam a exploração e venda de terras. Ivo Poletto garante: “A prática concreta revela que o direito absoluto é o direito de propriedade de terra.” De acordo com o professor, o direito de propriedade privada é mais defendido na sociedade brasileira do que o direito à vida. “Se um cidadão está com fome e rouba uma maçã, o dono da maçã pode matar ele. Isso mostra que no Brasil, o direito às terras valem mais do que o direito à vida.”

O teólogo também frisou perspectiva financeira que envolve o meio ambiente. De acordo com ele, as empresas encaram a natureza como uma prestadora de serviço, e colocam um preço nos materiais oferecidos. “Estão cobrando um preço pela fotossíntese.”

Sem soluções pontuais, os palestrantes falaram do problema e da necessidade da sociedade se juntar e combatê-lo. O professor Ivo aponta para a necessidade de crescer com a natureza, e não contra ela. Como exemplo, cita o Rio Tietê, pensado como local para se jogar dejetos. “Tem que deixar o rio ser rio. Deve haver uma relação de diálogo entre natureza e sociedade, para satisfazer nossas necessidades sem destruir a natureza, e trabalhar para que ela se recupere sempre.”

O Frei Rodrigo, por sua vez, acredita que a sociedade deve se “empoderar”, por meio de movimentos de lutas sociais, como a luta pela reforma agrária, defesa dos povos indígenas e a luta pelos sem-teto.

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