Em um vídeo de mais de cinco minutos compartilhado nas redes sociais nesta quinta-feira, 27, o prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa, alvo de uma representação por infidelidade partidária dentro do PL, decidiu contra-atacar e abriu fogo contra o presidente da legenda, Wilder Morais. Em tom duro e sem rodeios, Corrêa questionou posicionamentos do senador em votações no Congresso nas quais, segundo ele, Wilder teria se alinhado ao governo Lula. O prefeito afirmou ainda que, se o partido pretende expulsá-lo por infidelidade, o processo deveria começar pelo próprio dirigente da sigla.

“Ele [Wilder] diz que lamenta muito esse processo que aconteceu, mas quem fez a denúncia foi seu assessor. Muitos ali presentes na Executiva são seus funcionários”, disse Márcio, referindo-se ao autor da representação ético-disciplinar, que é ajudante parlamentar sênior lotado no gabinete de Wilder no Senado.

A denúncia foi apresentada após Corrêa oficializar, no último sábado, 22, apoio à reeleição do governador Daniel Vilela, do MDB, em evento realizado em Anápolis.

A representação, que alega infidelidade partidária e pede a expulsão de Márcio Corrêa do PL, foi recebida pela Executiva da legenda na manhã desta quinta-feira. A peça ainda será submetida à análise do Conselho de Ética, mas já provocou uma dura reação do prefeito anapolino.

“Eu queria entender o que é fidelidade e o que é infidelidade partidária. Porque se for seguir a ferro e fogo, onde estava a fidelidade do senador quando ele fugiu da votação contra o Messias [para o STF, por indicação do presidente Lula], que muitos já sabem os motivos? Onde estava a fidelidade do senador quando na maioria das votações, se pegarmos 2023 e 2024, ele votou junto com o governo Lula?”, questiona Corrêa no vídeo.

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Em outro momento, o prefeito traz à tona uma reunião que, segundo ele, teria ocorrido no barco de Wilder para articular a indicação do atual ministro Alexandre de Moraes ao STF.

Márcio Corrêa também afirma que, em negociações anteriores, a maioria dos mandatários do PL defendia uma composição com o atual governo estadual para “uma pacificação na direita e garantir a vitória” de Gustavo Gayer para o Senado. Segundo ele, no entanto, a articulação não avançou por interesses particulares. “Mas o interesse pessoal esteve acima dos interesses da legenda”, disse.

“Se for expulsar por infidelidade partidária, tem que começar pelo presidente [do partido], tem que expulsar deputado federal que não apoia esse projeto, tem que expulsar vários prefeitos também que não estão com esse projeto. Agora, se quiser fazer mídia e buscar popularidade usando o meu nome, hoje nós vamos começar o debate, mas a única diferença é que eu não bato com a mão dos outros”, afirmou o prefeito.

Veja o vídeo: