Após escândalo envolvendo Geddel, oposição quer saída de Temer

Secretário de Governo pediu demissão nesta sexta-feira (25). Senadores do PT afirmam que vão protocolar pedido de impeachment do presidente do PMDB

Senadores da oposição entrarão com pedido de impeachment. Gleisi Hoffman (PT) pede a renúncia do presidente para viabilizar eleições diretas | Foto: Reprodução Agência

Senadores da oposição entrarão com pedido de impeachment. Gleisi Hoffman (PT) pede a renúncia do presidente para viabilizar eleições diretas | Foto: Reprodução Agência

O senador Lindbergh Faria (PT-RJ) informou em Plenário, nesta sexta-feira (25/11), que parlamentares da oposição poderão formalizar na próxima segunda-feira (28) um pedido de impeachment do presidente Michel Temer (PMDB).

Conforme afirmou o parlamentar, o pedido se justifica pela afirmação do ex-ministro da Cultura Marcelo Calero de que Temer teria interferido em favor de demanda particular do ministro Geddel Vieira Lima, da Secretaria-Geral de Governo, para viabilizar a construção de um edifico em Salvador.

Na manhã desta sexta (25), Geddel encaminhou carta ao presidente da República pedindo demissão do cargo. Em resposta, o senador disse considerar que a atitude não estanca a crise política, nem anula a motivação para o pedido de impeachment de Temer.

“Estamos trabalhando com nossa assessoria jurídica, construindo uma peça de pedido de impeachment do presidente da República, que deve estar pronta até segunda-feira. Falei com a líder da oposição na Câmara, deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), que está conversando com movimentos sociais e com personalidades da sociedade civil, para ver quem vai assinar esse pedido de impeachment”, relatou.

“Esse é um caso claro de crime de responsabilidade, de advocacia administrativa, de trafico de influência. Se o presidente Michel Temer fez isso com um ministro da Cultura, para intervir num empreendimento imobiliário na Bahia, fico a pensar nos outros ministérios. O que estaria acontecendo com o pré-sal, que envolve multinacionais petroleiras?”, questionou.

Lindbergh informou ainda que a oposição também deverá dar entrada a um pedido para que Temer seja julgado, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por infração penal comum.

Diretas Já

Da presidência da sessão não deliberativa desta sexta-feira (25), a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) propôs ao presidente da República, Michel Temer, que renuncie do cargo e convoque eleições diretas. Para ela, é o único caminho para resolver a crise política e permitir a volta do crescimento da economia.

A senadora classificou como muito grave a denúncia do ex-ministro da Cultura Marcelo Calero. “É uma situação muito grave. O que o presidente estava fazendo era tráfico de influência, advocacia administrativa a favor de interesse privado. Disse seu porta-voz que aquilo era mediação de conflito entre ministérios, o que se dá na discussão de políticas públicas, mas não pode se dar em relação a interesses particulares”, avaliou.

Para Gleisi Hoffmann, a denúncia feita por Calero agravou a crise política e tornou inviável a votação da PEC do Teto de Gastos (PEC 55/2016), prevista para terça-feira (29). Além de considerar que o governo federal não estaria em condição de pedir a votação da matéria, a senadora reafirmou sua convicção de que a proposta retira direitos e garantias constitucionais.

“A PEC não só vai desvincular recursos da saúde e da educação, mas também vai limitar recursos da Previdência Social. Se a PEC for aprovada, será permitido que brasileiros passem a ganhar menos de um salário mínimo na Previdência, vão desvincular o salário mínimo dos benefícios previdenciários”, alertou. (Com informações Agência Senado)

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