Após defesa de cloroquina por Mayra Pinheiro, especialista contesta influência do medicamento no tratamento da Covid

Em depoimento na CPI da Pandemia nesta terça-feira, 25, a secretária do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro disse que a cloroquina tem efeito antiviral. Infectologista discorda

Marcelo Daher, infectologista, é contrário a afirmação da secretária em relação a cloroquina


A secretária do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro afirmou em depoimento à CPI da Covid-19 que o estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) que qualificou a cloroquina como “ineficaz” contra o vírus tem “metodologia questionável”.

Questionada pelo presidente da CPI, Omar Aziz,  se a cloroquina é antiviral, Mayra disse que “tem efeito antiviral”. Ela ainda manteve a defesa sobre o uso do medicamento. “Eu mantenho a orientação enquanto médica e que a gente possa usar todos os recursos possíveis para salvar vidas”, disse

“A gente tem estudos antiviral, antibacteriano da hidroxicloroquina”, antes de completar: “eu sou a favor das vacinas, essa é minha luta”. “A vacina é um elemento importantíssimo para prevenção, mas é preciso ter algum recurso farmacológico para tratar e evitar mortes […] Temos 17 medicamentos, eles não curam a Covid. Esperamos que reduzam mortes e internações. Ninguém quer ver o sistema colapsado”, diz ao mostrar um estudo de uso de hidroxicloroquina para tratamento de Chikungunya.

O médico infectologista, Marcelo Daher é contrário a afirmação da secretária em relação a cloroquina, que  segundo a secretaria é responsável por essa não internação de pacientes. “Realmente 5% da população vão ter formas graves com internação em Terapia Intensiva, isso é independente do uso da cloroquina. O que tem se mostrado é que o uso da cloroquina não muda isso”, afirma.

“Os trabalhos todos que foram feitos mostraram que a cloroquina não mudou esse cenário, os pacientes que evoluiriam para formas graves, evoluíram independente da cloroquina. 80% da população que tem Covid tem uma forma leve ou moderada, 20% vão ter necessidade de internação, desses 5% vão para a Terapia Intensiva, independente de cloroquina, ela não mudou esse cenário e temos vários municípios que usaram a cloroquina e que não houve a diferença entre quem usou e não usou. Infelizmente ela está equivocada na informação com os dados que temos hoje e  que são mostrados amplamente”, completa o especialista.

Sobre a  cloroquina poder ser considerada um antiviral, o infectologista é enfático. “Até poderia, mas inespecífico e de potência muito baixa”, reforça.

De acordo com Marcelo Daher, a discussão de medicação ineficaz não levará a nenhum lugar, para ele é preciso ações voltadas a garantia de vacinas.  “Essa discussão é infrutífera. Precisaria estar discutindo sobre buscar vacinas potentes e eficazes. Precisávamos discutir isso, a vacinação e não medicamentos que já são comprovadamente ineficazes. Nesse momento precisávamos unir forças, buscando uma solução. Deveria haver o empenho para buscar os insumos para produção de vacinas. Estamos no meio de uma pandemia em vias de uma terceira onda para ficar se comportando politicamente”, conclui o médico.

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